USO MEDICIAL DA CÚRCUMA

Cúrcuma (Curcuma longa L.) é uma das plantas medicinais mais potentes e conhecidas do planeta, extremamente valorizada em virtude das peculiares características de seus rizomas (caules). A propósito, o termo "cúrcuma" é popularmente utilizado para se referir apenas ao seu rizoma. Pesquisas extensas provaram que a maior parte das atividades da cúrcuma ocorre devido a um componente presente em sua composição chamado curcumina, o qual se mostra muito útil em inflamações, cânceres, úlceras e colites ulcerativas [1, 2, 3], além de ter propriedades antifúngicas e antivirais [4] e protetoras dos rins e do fígado em casos de doenças nesses orgãos [5, 6, 7, 8, 9]. Curcumina/cúrcuma pode ajudar a tratar uma vasta gama de doenças, dentre elas diabetes [10, 11, 12], alergias [13, 14, 15], artrite [16, 17], Alzheimer [18, 19, 20] e Parkinson [21, 22, 23].

 

APLICAÇÕES

Câncer

A curcumina presente na cúrcuma possui literatura apoiando a sua aplicação no combate ao câncer maior do que a de qualquer outro elemento [29, 30, 31, 32, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 39, 40, 41, 42, 43, 44, 45, 46, 47]. Esse componente parece ser útil em quase todos os tipos de câncer, o que é surpreendente considerando que o câncer consiste em uma grande variedade de diferentes patologias moleculares. Uma razão para isso é sua capacidade de afetar múltiplos alvos moleculares, através de múltiplos caminhos. Curcumina mostrou, ainda, funcionar de maneira sinérgica com determinados medicamentos de quimioterapia, aumentando a eliminação das células doentes.

Inflamações crônicas

Um estudo realizado em humanos e publicado na Oncogene comparou os efeitos anti-inflamatórios de vários compostos e descobriu que a aspirina e o ibuprofeno, medicamentos comumente utilizados para tratar a inflamação, eram os menos potentes, enquanto que o extrato de curcumina estava entre os mais eficazes.

Uma revisão sistemática, publicada na The Journal of Alternative and Complementary Medicine, teve como objetivo resumir a literatura sobre a segurança e o potencial anti-inflamatório da curcumina. Segundo conclusão do artigo:

"A curcumina demonstrou ser segura em seis ensaios em humanos e demonstrou atividade anti-inflamatória. Ela pode exercer sua atividade anti-inflamatória pela inibição de um número de moléculas diferentes que desempenham um papel na inflamação." [48].

Depressão e ansiedade

Alguns estudos sugerem que a curcumina pode contribuir no tratamento de condições relacionadas à saúde mental, como depressão e ansiedade. Uma metanálise de 2017, publicada no Journal of the American Medical Directors Association, analisou dados de seis estudos e descobriu que a curcumina reduziu significativamente os sintomas de depressão e ansiedade, com risco mínimo de efeitos colaterais.

Estudos [49, 50] com modelos animais também demonstraram a atividade antiansiedade da curcumina, o primeiro sugerindo que ela ajuda a aumentar os níveis de DHA, um ácido graxo ômega-3 importante para o desenvolvimento do cérebro e que está inversamente associado a distúrbios cognitivos, incluindo a ansiedade.

Doenças neurológicas

A curcumina é capaz de atravessar a barreira hematoencefálica, o que sugere seu potencial como agente neuroprotetor em distúrbios neurológicos, incluindo mal de Alzheimer e mal de Parkinson. Um estudo de 2014, realizado em animais, analisou outro componente bioativo na cúrcuma que também pode promover efeitos positivos nas doenças neurológicas – a tumerona aromática. Segundo autores, esse componente é um candidato promissor para apoiar a regeneração em doenças neurológicas.

Infecção por H. pylori

A curcumina pode ajudar no combate à bactéria Helicobacter pylori (H. pylori) (famosa por causar problemas estomacais, como gastrite, úlcera péptica e câncer de estômago). Acredita-se que a H. pylori afete mais da metade da população mundial, sendo identificada como cancerígeno do grupo 1 pela OMS. Na medicina convencional, infecções por H. pylori são tratadas com antibióticos, porém com o aumento da resistência dessas bactérias aos medicamentos utilizados, esses tratamentos estão ficando cada vez mais ameaçados. A curcumina pode ser uma alternativa natural viável. De acordo com estudo de 2009, publicado na Antimicrobial Agents and Chemotherapy, curcumina demonstrou reprimir efetivamente o crescimento de H. pylori in vitro.

Artrite

Um estudo de 2012 envolvendo 45 pacientes com artrite reumatoide comparou os efeitos da curcumina com os do medicamento diclofenaco sódico. Os participantes foram divididos em três grupos, sendo que um foi tratado com curcumina sozinha, outro com diclofenaco sódico sozinho e outro com uma combinação dos dois.

Os resultados do experimento revelaram que o grupo da curcumina apresentou a maior porcentagem de melhora nos marcadores gerais da doença, sendo esses marcadores significativamente melhores do que os observados nos pacientes do grupo do diclofenaco sódico. E o mais importante, o tratamento com curcumina foi considerado seguro e não foi correlacionado a nenhum evento adverso.

Já em pesquisa anterior, de 2006, foram divulgados resultados animadores mostrando que o extrato de cúrcuma bloqueava vias inflamatórias efetivamente, impedindo o lançamento de uma proteína que desencadeava inchaço nas articulações.

 

CURCUMINA E SUA AMPLA APLICABILIDADE

Importante lembrar que muito dos benefícios atribuídos à cúrcuma se deve à curcumina, que representa no máximo 6% do peso seco do rizoma. Esse teor poderia ser insuficiente para que fossem observados efeitos positivos significativos no tratamento de doenças e condições diversas, dependendo do estágio e severidade da doença ou condição, considerando que normalmente o consumo de cúrcuma é feito em pequenas quantidades.

Por exemplo, nos estudos o que se usa são extratos padronizados de cúrcuma (com teores altos de curcumina). Além da cúrcuma em pó tradicional, hoje encontramos versões mais concentradas no mercado e, dependendo do caso, pode ser interessante o investimento. Também é possível encontrar essas versões em cápsulas.

De acordo com um estudo publicado no Natural Product Reports em 2011, a extensa pesquisa dos últimos 30 anos indicou que esta molécula tem potencial terapêutico contra uma ampla gama de doenças, como câncer, doenças pulmonares, doenças neurológicas, doenças do fígado, doenças metabólicas, doenças autoimunes, doenças cardiovasculares e várias outras doenças inflamatórias.

 

CÚRCUMA ESTÁ MAIS PARA MEDICAMENTO DO QUE PARA ALIMENTO

Embora seja uma especiaria tradicional, utilizada há milhares de anos, cúrcuma não é uma fonte plausível de nutrientes essenciais e macronutrientes e sim chama bastante atenção por possuir componentes específicos dos quais a ciência estudou e revelou capacidades potencialmente úteis no tratamento de patologias. Esse é, na verdade, o caso de todas as ervas e especiarias. Por serem de origem natural, seu uso provavemente é mais seguro do que o de medicamentos alopáticos. Contudo deve-se ter uma postura mais cautelosa quando se trata de componentes isolados de ervas e especiarias.

Antes mesmo de usar cúrcuma/curcumina (ou outra planta/componente isolado de planta) como um medicamento natural é necessário um olhar crítico aos fatores no seu estilo de vida que podem estar mitigando sua saúde em primeiro lugar. Por exemplo, não faria sentido uma abordagem onde você usa curcumina (ou outra planta/componente isolado de planta) para abafar os efeitos de uma alimentação e um estilo de vida inflamatórios. O básico aqui, antes de tomar qualquer coisa, é não ter uma alimentação e um estilo de vida que agridam o organismo. No mais, a adição regular de ervas e especiarias, inclusive cúrcuma, nas refeições terá um efeito positivo para maioria das pessoas, além de possibilitar toques diferentes de sabores.


Referências:

 

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