URGENTE: SEU AZEITE DE OLIVA EXTRAVIRGEM PODE ESTAR ADULTERADO!

O presente artigo trata-se de informações que certamente serão uma grande decepção para muitos dos leitores. O azeite de oliva extravirgem autêntico pode trazer muitos benefícios à saúde, não à toa ficou tão famoso na região do Mediterrâneo, sendo peça fundamental naquela que ficou conhecida como 'Dieta do Mediterrâneo'. O azeite é rico em ácido oleico (ômega-9), também encontrado no abacate. Todavia o foco desse texto é mostrar o lado obscuro existente por traz desse cenário. Por tanto vamos aos fatos.

 

AZEITE DE OLIVA COMO VÍTIMA DE ADULTERAÇÕES

O consumo mundial de azeite de oliva teve um aumento exponencial nas últimas quatro décadas. A grande popularidade da 'Dieta do Mediterrâneo' sem dúvida teve considerável influência para que isso acontecesse. Infelizmente, junto com isso, e provavelmente devido a isso, vieram também fraudes e corrupções.

Com base em estudos americanos, entre 60% e 90% dos óleos de azeite oferecidos em supermercados e restaurantes estão misturados com azeite refinado ou outros tipos de óleo, geralmente óleos vegetais de baixíssima qualidade e com altas concentrações de ômegas-6 oxidados, tais como óleos de girassol, soja e milho (acompanhe também A incômoda verdade sobre óleos vegetais tradicionais).

Mesmo os azeites comprados como "extravirgem" podem estar misturados com azeites refinados ou outros óleos, e o pior, isso não estará descrito no rótulo. Existe, ainda, grande possibilidade de muitas pessoas nunca terem apreciado um azeite 100% puro, o que torna difícil a identificação através do paladar de que o produto adquirido está adulterado.

 

CASOS MUNDIAIS DE FRAUDES COM O AZEITE DE OLIVA

Nos últimos anos, a corrupção existente no setor provocou ações judiciais contra várias empresas de azeite de oliva. Um bom exemplo é de uma empresa que, em março de 2014, foi processada por vender um produto denominado "óleo de azeite puro", porém tal produto era, na realidade, o óleo do bagaço da azeitona.

O bagaço da azeitona é o resíduo sólido restante da produção tradicional de azeite, o qual é então submetido a solventes químicos em temperaturas extremamente elevadas afim de possibilitar a extração de mais óleo. Esse óleo, por sua vez, normalmente é misturado a outros óleos de azeitona de baixa qualidade.

Mais à frente, em dezembro de 2015, autoridades italianas descobriram um sistema de fraude na região de Puglia, envolvendo doze empresas diferentes de azeite de oliva. O esquema foi nomeado de "Agromafia" pelos próprios italianos. Esse fato não apenas caiu como uma bomba em seu país de origem como também teve grande repercussão mundial, uma vez que a Itália sempre foi reconhecida pela alta qualidade em azeites de oliva.

Em janeiro de 2016, o jornal "60 minutes", apresentado na emissora de TV americana CBS, revelou como o setor de azeites foi corrompido. Acompanhe o vídeo aqui.

De acordo com o jornalista Tom Mueller, a máfia se infiltrou praticamente em todas as áreas do setor de azeite, incluindo colheita, preços, transporte e até mesmo supermercados. Os principais azeites consumidos no Brasil são oriundos de países da Europa, como Portugal, Espanha e inclusive Itália.

 

UMA MANCHA NA TRADIÇÃO ITALIANA

Além da grande fraude ocorrida em 2015, outros fatos também contribuiram para dar uma certa ofuscada em todo o reconhecimento mundial desde sempre recebido pela Itália se tratando de azeites. Larry Olmsted é um premiado jornalista e autor que escreveu vários artigos para grandes jornais e revistas em todo o mundo.

Em um de seus livros, "Real Food/Fake Food", Olmsted mostra o lado obscuro dos azeites de oliva, que, quando não adulterados, certamente trazem muitos benefícios para a saúde geral e principalmente para o coração. Olmsted defende a ideia de que a maioria do azeite exportado da Itália não é o produto de melhor qualidade que eles conseguem produzir no país, uma vez que nem a sua própria demanda é atendida.

Olmsted também defende que o fato de determinado azeite vir da Itália não significa necessariamente que ele tenha sido feito no país e que um rótulo dizendo "engarrafado na Itália" pode até ser verdadeiro, mas não informa nada sobre o local de cultivo e compressão das azeitonas, nem se ele foi ou não misturado com outros óleos.

Olmsted alega, ainda, que pelo menos metade de todo o azeite extravirgem vendido na própria Itália também é adulterada. Na realidade isso é algo bastante surpreendente considerando toda a fama e tradição em termos de qualidade em azeites que o país possui (ou pelo menos possuía).

 

É POSSÍVEL ADQUIRIR UM AZEITE DE QUALIDADE?

Em relação à qualidade do azeite adquirido, mesmo que não haja adulterações, o seu trajeto desde o plantio até o consumidor final também poderá favorecer a chegada de um produto com qualidade reduzida em nossas mesas. Dependendo de onde o azeite vier ele precisará passar por embarcações – o que por si já poderá levar muito tempo.

Considerando um azeite vindo da Europa, por exemplo, ao chegar no país de destino (após um longo período de embarcação) esse azeite deverá ser armazenado (sabe-se lá por quanto tempo), para só, então, ser distribuído a mercearias e supermercados, onde muitas vezes acabará ficando nas prateleiras por mais alguns meses.

A questão é, quando pegamos um azeite e olhamos sua data de validade, isso infelizmente não nos ajuda muito em descobrir se ele ainda possui alta qualidade, pois o que realmente interessa é o período em que foram colhidas as azeitonas para a sua produção. Note que esse período nunca será indicado como uma data específica, já que a colheita não ocorre em um dia único e sim em vários dentro de um determinado período. Durante esse tempo os azeites vão sendo extraídos e misturados uns com os outros.

No Brasil a safra dos frutos normalmente acontece em um período aproximado de um mês (de alguma data de fevereiro a alguma data de março, ou algo muito próximo a isso).

Suponhamos que você esteja no supermercado à procura de um bom azeite. Ao pegar uma garrafa, considerando que o período de colhimento das azeitonas esteja especificado em seu rótulo (muitas marcas não disponibilizam tal informação), você precisará verificá-lo e fazer os cálculos, sempre certificando-se de que o resultado não ultrapasse demais o período de um ano. Nessa circunstância você poderá considerar que o produto trata-se de um azeite fresco. Mas quanto menor for esse tempo mais fresco será o azeite.

As azeitonas e o azeite são naturalmente ricos em antioxidantes, entretanto com o passar do tempo esses componentes tão importantes vão se perdendo. Isso significa que quanto mais fresco estiver o azeite maior será o seu conteúdo de antioxidantes. Um azeite armazenado por muito tempo, mesmo que não apresente data de validade vencida, possivelmente será um azeite pobre em antioxidantes.

Daí a importância dos azeites também estarem armazenados em garrafas de vidro escuras, pois elas minimizarão a perda desses antioxidantes. Diante dessa situação, uma boa saída é comprar azeites de pequenos produtores (próximos) de sua confiança. Dessa forma você pode estar mais certo(a) da qualidade geral do produto. O que não significa que um produto comprado no supermercado ou outro estabelecimento não possa ser de qualidade. Nesse caso você precisa conhecer profundamente a credibilidade da marca adquirida.

Se a sua preocupação é a obtenção de ômega-9, consumir mais abacates pode ser uma solução segura, pois diferentemente de uma garrafa de azeite, quando pegamos um abacate na mão percebemos que, de fato, é um abacate. Hoje encontramos várias receitas de saladas produzidas com abacate que ficam deliciosas. A propósito, o abacate cai muito bem em qualquer receita salgada e não apenas nas doces.


OBSERVAÇÃO

A redução do teor de antioxidantes no azeite devido ao longo tempo de armazenamento do mesmo pode até ser analisada como algo inócuo, já a presença de óleos prejudiciais misturados deve ter uma análise bem mais cautelosa. Os óleos normalmente adicionados para fazer volume estão ligados a várias doenças, inclusive os cânceres, em virtude da inflamação e processos oxidativos por eles favorecidos.


 

FRAUDES NO BRASIL

Falando especificamente aqui do nosso país, podemos considerar que o problema com adulteramento de azeites também é bastante presente, e isso não é de hoje. A Proteste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor) é uma entidade civil sem fins lucrativos, apartidária e independente de governos e empresas que atua na defesa e no fortalecimento dos direitos dos consumidores brasileiros desde 16 de julho de 2001. Abaixo, listados alguns testes em azeites, de 2002 a março de 2017, realizados pela Proteste aqui no Brasil e, na sequência, informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) sobre o tema "azeites adulterados".

Teste em 2002

Em 2002, avaliando azeites virgens, a entidade testou quinze marcas de azeite de oliva tradicionais no mercado, sendo que um terço delas foi reprovado por apresentar princípios de fraude devido à adição de outros ingredientes além de azeite. Os testes avaliaram qualidade, pureza, conservação, sabor, rotulagem, além de eventuais falcatruas.

Na ocasião, as cinco marcas de azeite de oliva reprovadas apresentaram indícios de fraude pela adição de óleo de bagaço de oliva ou de óleo vegetal de outras sementes, principalmente soja. Alguns dos azeites analisados apresentaram problemas de oxidação e frescor e o sabor deixou a desejar.

Teste em 2007

Em 2007 foi a vez dos extravirgens e, das vinte marcas testadas duas apresentaram irreguaridades, sendo que uma tinha óleos de sementes de oleaginsas adicionados em sua composição e a outra não se tratava de um azeite extravirgem como era descrito no rótulo, isto é, havia mistura com azeites inferiores.

Testes em 2009, 2013, 2016 e 2017

Em 2009, a fraude foi em uma marca que se dizia extravirgem. Em 2013, a Proteste testou dezenove marcas de azeites extravirgens e foi constatado que sete eram apenas virgens e em quatro haviam indícios de fraude contra o consumidor, já que pelos padrões da lei não poderiam ser consideradas azeites.

Em agosto de 2016, em outro teste, a entidade chegou à conclusão de que, de dezenove marcas de azeite, três eram misturadas a outros óleos vegetais e seis não eram o que diziam ser. Em seu teste realizado em março de 2017, a entidade avaliou 24 marcas das quais 16 foram absolvidas.


OBSERVAÇÃO

Dependendo da data na qual você estiver lendo esse artigo, novos testes podem ter sido divulgados. Para se manter atualizado acesse regularmente o proteste.org.


Algumas informações do MAPA sobre o assunto

Em uma publicação de abriu de 2017, o MAPA relatou a identificação de irregularidades em 45 marcas de azeite de um total de 140 coletadas, ao longo dos últimos dois anos (considerando a data da publicação).

As amostras foram colhidas em doze estados e também no Distrito Federal, totalizando 322.329 litros – destes, 114.750 litros foram considerados em conformidade e 207.579 litros foram considerados com problemas. A equipe de fiscalização inspecionou 279 amostras, englobando 214 lotes. Do total, 38,7% dos lotes tinha problemas e a maior parte das irregularidades era relacionada à baixa qualidade.

Segundo o MAPA, a fraude mais comum praticada por empresas envazadoras é o uso de óleo vegetal com azeite lampante, que tem cheiro forte e acidez elevada e que não deveria ser destinado à alimentação.

Só para se ter ideia da gravidade do problema, no Paraná foram identificadas empresas que vendiam "azeites de oliva" que na realidade apresentavam uma composição de 85% de óleo de soja e 15% de lampante. As fraudadoras foram autuadas e multadas em até R$ 532 mil pela irregularidade encontrada e os produtos foram apreendidos para descarte. As empresas também foram denunciadas ao Ministério Público.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

No mundo de hoje, onde muitas vezes a ganância e o dinheiro falam mais alto, gerando corrompimentos e trapaças, devemos sempre estar antenados, principalmente no que diz respeito aos alimentos que trazemos para dentro de nossas casas. A área da saúde já é complexa o bastante e carregada de informações divergentes, e no momento em que um ótimo alimento como o azeite de oliva ganha popularidade mundial e reconhecimento quase unânime aparecem os corruptos e nos lesam indiretamente.

Azeites de oliva extravirgens autênticos, além de aroma e sabor inigualáveis proporcionam benefícios imensos à saúde. Por outro lado, azeites adulterados com óleos baratos de baixa qualidade serão, no mínimo, não tão benéficos como deveriam, e de repente você pode estar pagando um "x" de dinheiro em algo que não vale esse dinheiro.

Diante de situações como essa, certamente nos sentimos impotentes. Mas o que podemos fazer? Bom, primeiramente devemos estar sempre ligados às notícias que giram em torno do assunto, apoiando entidades que protejam os direitos dos consumidores (como a Proteste) e pressionando, cada vez mais, orgãos como MAPA e Anvisa no que se refere a uma forte fiscalização no setor. Conhecer e/ou pesquisar a idoneidade da marca do azeite adquirido também é essencial.

Fora isso, podemos, ainda, buscar pequenos produtores de confiança, nas proximidades, ou criar hábitos importantes como: desconfiar se o preço estiver muito baixo, observar sempre o local de envasamento e checar se no país de origem existem ações que dificultem possíveis fraudes. Por mais que essas simples ações pareçam significar pouco, precisamos acatá-las seriamente, afinal de contas é a nossa saúde que está em jogo.


Referências:

 

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