SAL: TIPOS E DIFERENÇAS, CONSUMIR OU NÃO?

Uma das principais preocupações das pessoas em relação ao consumo de sal é o sódio presente em sua composição, juntamente com sua rotineira associação a doenças do coração e aumento da pressão arterial. Exatamente por esse motivo, o sal é muitas vezes recomendado em doses baixíssimas por muitos profissionais da saúde.

Precisamos estar cientes, no entanto, de que a evidência que liga o consumo de sódio à pressão alta e mortalidade é inconsistente e escassa. Muitos dos estudos que declaram que o aumento na ingestão de sal acarreta a elevação da pressão arterial foram estudos feitos em animais, utilizando quantidades muito maiores do que as recomendadas e ainda foram feitos com sal refinado. 

A pesquisa mais relevante feita foi a "Intersalt Trial", que contou com a participação de dez mil pessoas de 52 centros. Apenas em quatro dos 52 centros ficou evidente a ideia de que sal contribuía para o aumento da pressão arterial. O sal integral (33% de sódio e 50% de cloreto) tem função fisiológica fundamental no funcionamento apropriado do organismo.

Na realidade, existem vários estudos que falharam em mostrar os benefícios de uma dieta baixa em sal (dieta hipossódica) [1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8]. Esse tipo de dieta, na realidade, tende a gerar uma série de efeitos metabólicos indesejáveis, incluindo maior liberação de renina, angiotensina, aldosterona, noradrenalina e insulina, substâncias que podem trazer consequências deletérias.

 

CAUSAS SUBJACENTES DA PRESSÃO ALTA

As evidências indicam que o equilíbrio entre potássio e sódio no organismo tem muito mais relevância do que o sódio alto sozinho quando se trata da pressão arterial elevada. E mais, o corpo humano possui um sistema integrado e complexo. Não existe apenas um fator possível para o aumento da pressão arterial e sim vários, como alimentação precária, estilo de vida inadequado, estresse, deficiência de minerais (como magnésio e potássio), vitamina D3 insuficiente, desequilíbrio crônico do sistema nervoso central (SNC), etc.

Um fator de destaque que sem dúvida aumenta o risco para pressão arterial elevada é a velha resistência insulínica. Perceba você mesmo que pessoas com hipertensão normalmente também apresentam problemas com obesidade, hiperglicemia, hiperinsulinemia e diabetes. Isso certamente não é uma simples coincidência.

Uma dieta baixa em sal, o que é muito comum, gera aumento da resistência insulínica [9]. O excesso de insulina (característica da resistência à insulina) tende a aumentar a retenção de sódio no organismo [10]. Mas como combater a resistência à insulina? Primeiramente, o consumo de quandidades diárias adequadas de um bom sal integral é essencial nesse sentido. Em adição, os exercícios físicos e os hábitos alimentares também possuem um papel chave nesse processo.

Quanto aos hábitos alimentares, podem ser utilizadas estratégias como jejum intermitente, baixo consumo de carboidratos (principalmente os refinados), açúcares processados e eliminação de óleos ruins da dieta. O excesso de frutose, em particular, favorece a elevação da pressão arterial via aumento do ácido úrico, um subproduto de seu metabolismo [11]. Imporante mencionar que o grande problema com a frutose atualmente é com a frutose em produtos ultraprocessados.

Em suma, assim como na doença cardiovascular em geral, pressão alta pode ser causada por vários fatores e não apenas um (acompanhe também Desvendando a teoria do colesterol e a demonização da gordura saturada).

 

SAIS INTEGRAIS

Existe uma boa diferença entre o sal refinado (conhecido como sal de mesa) e o sal em sua forma integral. O sal refinado traz consigo substâncias químicas utilizadas no processo de refinamento, além de oferecer apenas sódio (Na) e cloreto (Cl). No processo de refino, o sal de mesa perde cerca de oitenta minerais e elementos essenciais ao organismo, por outro lado o sal integral preserva esses mesmos minerais e elementos, além de ter concentrações sutilmente menores de sódio e cloreto.

Enquanto que o sal rosa do Himalaia tem recebido grande destaque nos últimos anos, a realidade é que qualquer tipo de sal não refinado oferecerá vantagens semelhantes, por isso é importante sempre estar atento a esse crucial detalhe, se o produto adquirido é ou não refinado. No caso do sal marinho integral é prudente conhecer a procedência do produto, visto que atualmente muitas de nossas águas, incluindo as de nossos oceanos, estão poluídas com substâncias nocivas, tais como mercúrio, dioxina, PCBs, partículas de plástico e, até mesmo, petroquímicos tóxicos.

Sal rosa do Himalaia

Esse sal é conhecido por ser um dos sais mais benéficos e limpos do planeta, sendo uma ótima alternativa ao sal refinado. Historicamente, esse sal foi muito utilizado pelos povos do Himalaia a fim de conservar carnes e peixes.

Conhecido também como sal rosa, sal do mar do Himalaia, sal de rocha e sal de cristal do Himalaia, esse sal é classificado como sal de pedra ou halite, o qual vem da região de Punjab, no Paquistão, a cerca de 190 milhas do Himalaia. Essa região tem um dos maiores campos de sal do mundo.

Sal marinho celta

Este é outro sal muito interessante. É parecido com o sal rosa do Himalaia em termos de composição e benefícios para a saúde, entretanto sua fonte é completamente diferente, visto que é originário de Bretanha, na França. Também possui uma cor diferente (acinzentada).

Outros

Aqui podemos citar o sal grosso, o sal negro e a flor de sal. Independente do nome, o mais importante é que ele não seja refinado. A simples substituição do sal de mesa comum pelo sal integral (seja lá qual for) já pode ser considerada um avanço.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sal em sua forma integral é fundamental para manter o funcionamento saudável das células do corpo, sistema nervoso, digestão, assim como para a correta absorção de nutrientes e a eliminação de resíduos. No que diz respeito ao sal, podemos ressaltar dois pontos:

  • 1) Indícios de que o sal per se, muito menos em sua forma integral, contribui para o aumento da pressão arterial são muito fracos. A grande epidemia de pressão alta enfrentada pela geração atual se mostra cada vez mais acorrentada ao estilo de vida e alimentação modernos e não ao consumo de sal em si;

  • 2) Sal integral é diferente de sal refinado. O primeiro não contém aditivos químicos e oferece aproximadamente oitenta minerais e elementos essenciais que contribuem para complementar nosso aporte diário desses nutrientes. O segundo providencia apenas sódio e cloreto, tendo como principal desvantagem a presença de aditivos químicos – tais como ferrocianeto de alumínio, citrato de amônia, silicato de alumínio e ácido sulfúrico – provindos do seu processo de refinamento.


Referências:

 

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