PROPRIEDADES DA CHLORELLA

A chlorella é nativa da Ásia, mais especificamente de países como Japão, Taiwan e também Coreia. Trata-se de uma espécie de microalga da família Chorellaceae famosa por sua rica composição nutricional. Aminoácidos, clorofila, luteína, betacaroteno, fibras, potássio, fósforo, magnésio, vitaminas C e E e vitaminas do complexo B são alguns de seus nutrientes.

Existem cerca de trinta espécies de chlorella, porém uma é mais comumente utilizada em pesquisas – a Chlorella vulgaris. Chlorella normalmente é vista como um suplemento alimentar que pode ajudar a corrigir inúmeras deficiências nutricionais e favorecer também o processo de destoxificação do organismo, devido ao alto conteúdo de clorofila. Pode ser encontrada em cápsulas, tablets, extrato ou pó [1].

 

CHLORELLA: RICA FONTE DE CLOROFILA

Chlorella tem maior concentração de clorofila do que qualquer outra planta ou alga já estudada, dentre elas a prestigiada spirulina. Na realidade, chlorella recebe esse nome justamente pelo alto teor de clorofila que contém. A clorofila é um pigmento encontrado nas plantas que possui papel chave na realização da fotossíntese, assim como traz diversos benefícios aos humanos. A fotossíntese trata-se do processo através do qual as plantas absorvem a luz do sol – juntamente com a água e o dióxido de carbono – transformando-a no alimento necessário para seu crescimento [2].

O oxigênio, que praticamente todas as células eucarióticas requerem para gerar energia em suas mitocôndrias, é um subproduto da fotossíntese. Como regra geral, quanto mais escuro for o verde de uma determinada planta, maior quantidade de clorofila essa planta conterá. Fora a chlorella, vegetais verdes em geral carregam em si teores variados de clorofila. Fontes interessantes desse componente incluem: spirulina, espinafre, couve, rúcula, alho-poró, salsa, agrião, endívia e vagem. A clorofila e seus derivados são potencialmente úteis na prevenção e no tratamento do câncer [3, 4], na proteção contra radicais livres [5], e na manutenção de peso [6].

 

POTENCIAIS APLICAÇÕES E BENEFÍCIOS DA CHLORELLA

Um dos pontos que mais chama atenção na chlorella é sua capacidade de funcionar como um quelante de metais tóxicos. Veja abaixo potenciais aplicações e benefícios da chlorella:

Eliminação de metais tóxicos

Se você tem algum tipo de enchimento dental (a exemplo das amálgamas), se você foi vacinado, se você consome com regularidade frutos do mar contaminados ou se você foi exposto à radiação você provavelmente é mais vulnerável a apresentar algum grau de contaminação por metais tóxicos. Em contrapartida, no mundo em que vivemos hoje dificilmente alguém está 100% livre desse problema, fato que torna a consciência sobre o assunto ainda mais relevante.

Enquanto que o processo completo do tão famoso "detox" é bastante complexo, a chlorella pode dar sua contribuição, como mostrado em alguns estudos em animais, em que uso de chlorella aumentou a excreção de metais como chumbo, cádmio e mercúrio [7, 8, 9].

A chlorella aumenta a eliminação do mercúrio do trato gastrointestinal, músculos, ligamentos, tecido conjuntivo e ossos [10]. Um estudo, por exemplo, demonstrou que a chlorella administrada a ratas prenhas suprimiu a transferência de metilmercúrio (um subproduto do mercúrio) ao feto, bem como diminuiu sua concentração no cérebro e no sangue de suas mães.

Sintomas comuns da acumulação de metais nocivos em virtude de uma exposição crônica por longos períodos incluem: fadiga, disfunção digestiva, depressão, dores nas articulações, infertilidade e outros problemas reprodutivos, etc. Afim de prevenir, ou ao menos amenizar o problema, considere primeiramente a inclusão de mais alimentos orgânicos em sua dieta.

Dito isso, a ingestão regular de chlorella pode contribuir para a não acumulação de metais tóxicos indesejáveis no corpo. Em adição, você pode fazer uso diário de coentro, que também demonstrou atividade contra tais metais [11, 12].

Imunomodulação

Uma pesquisa de 2012 publicada no Nutrition Journal, observando indivíduos saudáveis, descobriu que após oito semanas de ingestão de chlorella, a atividade das células 'natural killer' melhorou. Os resultados mostraram que a chlorella suporta uma resposta saudável do sistema imunológico e ajuda na atividade das células 'natural killer' do organismo.

Um estudo de 2017 publicado no Nutrients demonstrou efeitos positivos da suplementação de chlorella em camundongos com imunosupressão induzida por ciclofosfamida. Estudos em humanos também sugerem benefícios da chlorella ao sistema imunológico [13, 14].

Regulação da pressão sanguínea

Uma pesquisa publicada no Clinical and Experimental Hypertension em 2009 revelou que a administração oral de chlorella promoveu um efeito anti-hipertensivo em indivíduos com pressão alta ou normal. O estudo ainda sugeriu que a chlorella é um suplemento útil na prevenção do desenvolvimento da hipertensão. Outros estudos também já demonstraram tais efeitos, o primeiro em humanos e o segundo em ratos [15, 16].

Aumento da sensibilidade à insulina

A resistência à insulina é uma condição cada vez mais comum em nosso meio. Ela está diretamente atrelada ao diabetes tipo 2. Alimentação inadequada, excesso de estresse e falta de sono são alguns dos fatores que mais contribuem para esse mal. Enquanto que o jejum/jejum intermitente e a redução de carboidratos da dieta são duas das melhores estratégias para combater o problema, a adição de determinados alimentos em seu plano alimentar será sempre muito bem-vinda  

Por exemplo, estudo em animais publicado em 2006 mostrou que a chlorella ajudou a potencializar a sensibilidade à insulina. Em outro estudo, esse de 2011, foi realizada uma experiência em ratos com diabetes induzida por estreptozotocina. Após quinze dias, os pesquisadores notaram que a administração oral de chlorella três vezes ao dia havia melhorado a sensibilidade à insulina desses ratos. Segundo autores, os resultados obtidos sugerem que a chlorella pode ser utilizada como uma terapia adjuvante em pacientes com resistência à insulina.

Maior proteção contra o estresse oxidativo

Envelhecimento acelerado, danos ao DNA, inflamação e várias doenças, como câncer, Parkinson e Alzheimer, são favorecidas pelo estresse oxidativo. Esse processo ocorre em nosso organismo devido a um excesso de radicais livres – normalmente causado pela vida estressante da atualidade e pela falta de sono.

Radicais livres em excesso tendem a se acumular nas membranas celulares, tornando os lipídios das células propensos ao dano oxidativo (peroxidação lipídica). Nos tempos de hoje, onde a vida está constantemente agitada, a alimentação passa a ter um papel ainda mais importante afim de gerenciar o problema.

Estudos em humanos demonstram que a chlorella é capaz de atenuar o estresse oxidativo. Em 2013, pesquisadores observaram que um período de seis semanas de suplementação com extrato de Chlorella vulgaris em indivíduos fumantes estava associado a um aumento significativo de todas as medidas séricas de atividade antioxidante avaliadas. Os autores declaram que a ingestão de chlorella atenua a peroxidação lipídica em fumantes crônicos de cigarro [17].

Em 2018, estudo publicado no Kurume Medical Journal, avaliando os efeitos da ingestão de chlorella sobre os sintomas de estresse oxidativo e fadiga em homens saudáveis, também dá suporte ao seu potencial. Segundo autores:

"Nossos resultados sugerem que a ingestão de chlorella tem o potencial de aliviar o estresse oxidativo e aumentar a tolerância à fadiga em condições de repouso."

Amenização dos efeitos da radiação

Chlorella também pode ser útil contra os danos provocados pela radiação [18]. Isso é particularmente interessante àqueles que estão submetidos à quimioterapia, uma vez que esse tratamento não só mata as células cancerígenas, como também pode trazer efeitos devastadores sobre os glóbulos brancos saudáveis. Isso, por sua vez, pode enfraquecer o sistema imune, aumentando o risco de infecções.

 

CHLORELLA NO CÂNCER

É evidente que a nutrição tem um papel importantíssimo quando se trata da prevenção e tratamento de diversas patologias. Com o câncer isso não é diferente. Enquanto que no pensamento convencional a culpa toda desmorona sobre a genética, a ciência já provou que a epigenética tem uma influência muito maior do que se imaginava previamente.

Dito isso, acredita-se que todos os corpos humanos em algum momento desenvolvam células cancerígenas. O funcionamento adequado do sistema imunológico tem a capacidade de atacar e destruir essas células, antes que elas tenham a chance de se firmar e criar o câncer. Um estudo de 2009 publicado no Journal of Zhejiang University Science revelou que o extrato de Chlorella vulgaris suprimiu o crescimento do tumor de fígado e causou apoptose em ratos com câncer de fígado induzido.

Em 2015, estudo publicado no Nutrition analisou os efeitos antineoplásicos da Chlorella pyrenoidosa no câncer de mama experimental in vivo e in vitro, apresentando resultados animadores. Efeito antineoplásico diz respeito basicamente a uma atividade que combate o crescimento e disseminação de células malignas. Estudos também demonstraram a potencial da chlorella no câncer de pulmão [19, 20].

 

CHLORELLA E VITAMINA B12: UMA ALTERNATIVA A VEGETARIANOS E VEGANOS?

Considerando que a vitamina B12 ocorre em quantidades substanciais apenas no reino animal, vegetarianos e veganos correm o risco de desenvolver deficiências desta importante vitamina. Dentre outros nutrientes essenciais, chlorella é fonte de vitaminas do complexo B e uma das pouquíssimas fontes vegetais de B12.

Em estudo publicado em 2015, no Journal of Medicinal Food, a B12 da chlorella ajudou a melhorar os marcadores de saúde de dezessete veganos e vegetarianos com idades entre 26 e 57 anos com um histórico de deficiência de B12. Segundo autores, os resultados obtidos sugerem que a B12 da chlorella é biodisponível, fazendo dela uma opção útil para vegetarianos e veganos.

Apesar disso, muito se questiona sobre o grau de capacidade do organismo em absorver a B12 da chlorella e outras algas. Principalmente veganos e vegetarianos devem sempre acompanhar de perto os níveis de vitamina B12.


OBSERVAÇÃO.

O processo de absorção de B12 pelo organismo é bastante trabalhoso e a deficiência dessa vitamina, em muitos casos, vai além de uma não ingestão. O processo requer um sistema digestivo otimizado.

Fatores que podem contribuir para a má absorção de vitamina B12 incluem: consumo recorrente de álcool, uso de medicamentos (como metiformina, antiácidos e inibidores da bomba de prótons), produção precária de fator intrínseco*, doenças do sistema digestivo, como a doença celíaca e o Chron, cirurgia bariátrica, etc.

*O fator intrínseco é uma proteína produzida no estômago que se liga à vitamina B12 e permite que ela seja absorvida pela corrente sanguínea no final do intestino delgado.

Vale notar que se nosso organismo não estiver produzindo ácido clorídrico suficiente no estômago, ele também não estará produzindo quantidade suficiente de fator intrínseco. Como a única maneira da vitamina B12 ser absorvida em nosso sistema é através da ligação com o fator intrínseco, fica fácil entender por que tantas pessoas apresentam B12 insuficiente, mesmo dentre os "carnívoros".

Se você acompanha nosso blog, já deve ter lido em algum momento que, de modo geral, nosso sistema digestivo tem se tornado cada vez mais comprometido. Isso acontece devido ao uso indiscriminado de anti-infamatórios, antibióticos e outros medicamentos.

A excessiva e constante ingestão de glúten, determinadas lectinas, alimentos altamente processados, agrotóxicos e produtos transgênicos também contribui para o problema. Portanto, antes de se preocupar com qual será a sua fonte de vitamina B12, certifique-se primeiramente de otimizar o seu sistema digestivo. Dessa forma você garantirá uma correta absorção desse vital nutriente.


 

DETALHES IMPORTANTES

É importante saber que nem toda chlorella é produzida da mesma forma. Essa microalga em seu estado normal não é digerível aos humanos, uma vez que não temos as enzimas necessárias para quebrar a sua parede celular. Assim sendo, é crucial que o processo de fabricação faça esse trabalho por você, pois do contrário não poderá usufruir de seus benefícios. Por esse motivo, procure sempre por chlorellas com a parede celular quebrada (broken cell), informe-se com o fabricante. Em adição, certifique-se de adquirir um produto livre de contaminantes provindos de águas contaminadas (algo muito comum hoje em dia). Dê forte preferência às chlorellas certificadas orgânicas.

 

CONSIDERAÇÃO RELEVANTE QUANTO AO USO DE CHLORELLA

Por oferecer atividades que podem ajudar no processo de desintoxicação, a administração de chlorella não deve ser iniciada com uma dosagem muito alta, visto que poderiam surgir alguns efeitos indesejáveis. Como cada pessoa é diferente, recomenda-se uma quantidade bem pequena para começar, algo como 500 mg por dia. Essa dosagem deve ser aumentada gradualmente, até que se alcance a quantidade desejada. Caso apresente algum sintoma incomum, diminua a dose ou interrompa a ingestão.

 

OUTRAS POSSÍVEIS APLICAÇÕES DA CHLORELLA

Chlorella também é potencialmente útil para melhoria do funcionamento do metabolismo [21, 22, 23], otimização da função cognitiva [24, 25, 26], aumento da resistência aeróbica [27] e como coadjuvante no tratamento de infectados pelo vírus da hepatite C [28].


Referências:

 

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