ORGÂNICOS: POR UMA SAÚDE MELHOR E UM PLANETA MAIS SUSTENTÁVEL

O mundo evoluiu ao longo do tempo e mudou bastante nas últimas décadas. Até não muito tempo atrás praticamente todos os alimentos que consumíamos eram equivalentes aos rotulados orgânicos de hoje. E como é de conhecimento geral, a alimentação só veio ficando mais tóxica durante esse tempo, devido a vários fatores, como manipulações genéticas, uso abusivo de pesticidas, utilização excessiva de drogas veterinárias (o que implica diretamente na saúde dos animais, bem como na qualidade dos alimentos que eles produzem), contaminação de mares e rios, entre outros.

Infelizmente nos dias atuais, um alimento não orgânico, seja lá qual for esse alimento, trará menos benefícios em comparação com ele mesmo em épocas passadas, daí a importância de se consumir orgânicos. Além disso, produções orgânicas também contribuirão para a sustentabilidade do planeta. Se você quer atingir o ápce da sua saúde e mantê-la dessa forma por muito tempo, investir em orgânicos certamente não será uma má ideia. É claro que existem outros fatores para que isso aconteça, mas esse é um deles.

 

VANTAGENS DOS ALIMENTOS ORGÂNICOS

Orgânicos não possuem (ou possuem menos) produtos químicos tóxicos

Em metanálise de 2012, realizada pela Universidade de Stanford, a qual observou 240 estudos que comparavam os alimentos orgânicos com aqueles de cultivo convencional, foi concluído que o consumo de alimentos orgânicos pode reduzir a exposição a resíduos de pesticidas e bactérias resistentes a antibióticos. Embora essa seja uma notícia pouco surpreendente, é sempre bom termos dados que reafirmem a ideia.

Importante ressaltar, ainda, que o mundo de modo geral está mais contaminado (até o ar que respiramos está mais contaminado). Talvez por isso muitos não deem tanto crédito para a questão dos orgânicos. Se a contaminação está quase que generalizada, para que vou me preocupar com isso e ainda gastar mais dinheiro, não é mesmo?

O que precisamos saber é que quanto menos substâncias tóxicas ingerirmos melhor preservaremos nossa saúde a longo prazo, e alimentos orgânicos apresentarão carga mínima de resíduos de pesticidas (ou não apresentarão). É importante que façamos aquilo que esteja ao nosso alcance. Por exemplo, se pudéssemos simplesmente parar de respirar, nossa exposição a quaisquer tóxicos se tornaria reduzida.

Diferentemente disso, o consumo de alimentos orgânicos mostra-se como algo atingível. Isso significa que você tem que comprar orgânicos? Com certeza não, mas se você tem condições é muito interessante. Comprar orgânicos já é possível, e você estará fazendo um favor à sua saúde e também ao meio ambiente. Inviável para a maioria de nós hoje, mas uma ótima alternativa também seria plantar e/ou criar tudo aquilo que fosse consumir, mais ou menos como acontecia com nossos avós.

 

Outras vantagens dos orgânicos

Enquanto que a garantia de um alimento com menos (ou sem) produtos químicos tóxicos parece ser o principal diferencial da produção orgânica, certamente existem outros. A produção orgânica:

  • Providencia maior teor de antioxidantes: metanálise realizada em 2014, a qual se baseou em 343 publicações, indicou diferenças estatisticamente significativas entre a composição dos alimentos orgânicos e aqueles de cultivo convencional. Segundo os pesquisadores, a maioria dos componentes antioxidantes eram de 18% a 69% mais altos nos alimentos orgânicos. Ainda de acordo com eles, intervenções dietéticas e estudos epidemiológicos já associaram muitos desses componentes (os antioxidantes) a um risco reduzido de doenças crônicas, como as cardiovasculares, as neurodegenerativas e certos tipos de câncer. O mesmo estudo também mostrou que alimentos organicamente produzidos apresentavam menor frequência na ocorrência de resíduos de pesticidas, bem como continham menores níveis de cadmium, um metal tóxico conhecido como cancerígeno;

  • Causa menor impacto ambiental: como já mencionado um pouco antes, a produção de alimentos orgânicos contribuirá para a sustentabilidade do planeta, já que não utilizará fertilizantes ou herbicidas artificiais ou quaisquer outros produtos químicos agressores. O uso desses produtos destrói a estrutura do solo e promove a erosão, além de contaminar os lençóis freáticos. E a cada ano mais fertilizantes normalmente são necessários para que se obtenha o mesmo rendimento da safra, o que aos poucos vai aumentando a velocidade de contaminação do meio ambiente;

  • Garante melhor saúde aos animais: aqui uma coisa puxa a outra. À medida que a agricultura orgânica preserva o meio ambiente, a tendência é que a natureza, de maneira geral, se torne mais saudável, inclusive os animais. Considerando os animais que comemos, por teoria podemos chamar de orgânicos aqueles que têm alimentação orgânica e vivem em ambientes saudáveis, longe de pesticidas, herbicidas e quaisquer outras substâncias não naturais que prejudiquem a saúde do animal (e posteriormente a nossa). Isso fica ainda melhor se o animal vive solto e come aquilo que ele foi primeiramente projetado a comer;

  • Proporciona maior segurança aos trabalhadores rurais: obviamente uma produção orgânica será benéfica a todos, tanto para aqueles que trabalham nas produções como para os consumidores, todavia o contato mais próximo com subtâncias tóxicas certamente oferece um risco ainda maior. Trabalhadores rurais que atuam em agriculturas convencionais lidam de maneira muito próxima e constante com essas substâncias. Existem certos produtos químicos potentes que podem trazer vários efeitos negativos, muitos deles imediatos – como irritação nos olhos, erupções cutâneas, tontura, náusea, vômitos, dores de cabeça e até mesmo convulsões, perda de consciência e morte –, outros a longo prazo – como distúrbios neurológicos, defeitos congênitos, infertilidade e câncer.

 

O CRESCIMENTO DA AGRICULTURA ORGÂNICA É UMA TENDÊNCIA

A agricultura convencional se transformou, acima de tudo, em um grande negócio. Os "gigantes" do agronegócio praticamente tiraram de cena muitas fazendas menores e tornaram extremamente difícil para que pequenos produtores pudessem sobreviver. Essas grandes fazendas estão menos em contato com a terra, são mais dependentes de produtos químicos e estão até mesmo modificando geneticamente o plantio.

Em uma analogia breve, isso equivale à alta dependência de remédios em nós humanos (estamos mais carentes de saúde, assim como o solo e as plantações estão mais pobres em nutrientes, o que torna a sobrevivência de ambos dependente de substâncias químicas prejudiciais). Embora esse tenha sido um jeito encontrado para acompanhar o crescimento da população, é preciso se preocupar com aquilo que está sendo perdido, uma vez que a agricultura tem se tornando cada vez menos daquilo que costumava e deveria ser.

Nós, da Body Food, acreditamos que o mundo está atualmente situado no início de uma curva positiva, onde a demanda por alimentos orgânicos aumentará cada vez (fato que poderá ser observado ao longo das próximas décadas). E à medida que a demanda por esses alimentos for aumentando, produtores automaticamente irão se ajustando. Claro que também existe um jogo de interesses financeiros no meio de toda a história, por isso mesmo essa curva deverá ser um pouco desacelerada no meio do caminho, todavia certamente continuará sendo traçada.  

 

O USO INTELIGENTE DO SOLO PODE GARANTIR QUE OS ALIMENTOS NÃO TENHAM SUA DENSIDADE NUTRICIONAL REDUZIDA

Solos saudáveis contêm uma enorme diversidade de microrganismos, os quais são responsáveis pela absorção de nutrientes pela planta, assim como pela saúde e estabilidade do ecossistema. Produtos químicos agrícolas agridem o solo, matando seus microrganismos, razão pela qual a densidade nutricional dos alimentos convencionalmente cultivados veio se deteriorando ao longo do tempo.

Em pesquisa relizada por Donald R. Davis, PhD, e sua equipe de pesquisadores da Univ. do Texas, publicada em dezembro de 2004 no Journal of the American College of Nutrition, isso fica bem explícito. Comparando os dados nutricionais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) publicados em 1950 e 1999, principalmente de vegetais, eles encontraram "declínios confiáveis" nas quantidades de proteína, cálcio, fósforo, ferro, riboflavina (vitamina B2) e vitamina C.

Infelizmente em nossa atualidade, mesmo quem tem uma dieta saudável corre o risco de não atingir a quantia demandada de micronutrientes. Hoje, quando você pega a tabela nutricional de determinado alimento e olha em seus teores de micronutrientes não dá mais pra confiar que a quantidade ali indicada de fato está presente no alimento, caso esse alimento seja de produção convencional. 

Para que possamos sair dessa situação é necessário um conjunto de fatores, e um ótimo começo certamente é o crescimento daquilo que podemos chamar de uso inteligente do solo (que no final das contas acaba se refletindo em produções orgânicas, quando feito de modo correto). Estratégias válidas incluem:

Rotação de culturas

Um fator que favorece a diminuição no conteúdo geral de nutrientes nos alimentos é a utilização do plantio de uma mesma cultura em uma mesma área todos os anos, prática muito conhecida como monocultura. O desequilíbrio causado pela monocultura desencadeia problemas de doenças, pragas e ervas daninhas sem controle, assim como perda de produtividade devido ao resultante desbalanceamento das condições físicas, químicas e biológicas do solo.

Como consequência, o uso de produtos químicos agressivos se torna ainda mais necessário, e isso, por sua vez, destrói ainda mais a qualidade do solo e do ambiente, gerando um grande ciclo vicioso. Felizmente, muitas produções orgânicas utilizam a chamada rotação de culturas. Essa técnica baseia-se em cultivar um tipo diferente de cultura na mesma área de terra em cada estação de cultivo.

Trata-se de um caminho natural para que os agricultores orgânicos reduzam pragas, ervas daninhas e doenças do solo. É também uma forma de evitar o esgotamento dos nutrientes, o que significa um solo mais fértil, uma melhor produção agrícola e um alimento mais denso nutricionalmente. A rotação de culturas ainda reduz a erosão do solo.

Planta companheira

Outro bom exemplo de uso inteligente do solo é a técnica da planta companheira. Existem plantas que quando cultivadas juntas ou próximas beneficiam umas às outras, possibilitando maior aproveitamento da área de cultivo, ação inibidora sobre determinados insetos e melhoramento da qualidade do solo.

Existem também certas plantas que não devem ser cultivadas uma ao lado da outra. Na realidade existe uma série de artimanhas que podem ser utilizadas para manter a qualidade de todos os envolvidos – solo, plantação, meio ambiente, etc. É importante que se dê cada vez mais valor a estratégias como essa, visto que são altamente sustentáveis e certamente se refletem em alimentos mais ricos em nossas mesas. 

Composto orgânico

O composto pode ser definido como matéria orgânica decomposta que atua como um intensificador do solo. Quando feito corretamente é uma maneira eficaz de aumentar o teor de nutrientes e a qualidade do solo. Apresenta-se como excelente forma de aproveitamento dos restos vegetais e animais oriundos da atividade agropecuária.

Em seu trabalho, Rebecca Ryals e Whendee L. Silver, da University of California, em Berkeley, descobriram que o composto de fato resultou em maior armazenamento de carbono no solo [1]. O carbono é importante no solo, já que melhora sua estrutura física via melhor agregação, maior porosidade, melhor infiltração e armazenamento de água.

Nessas condições, as plantas ganham a possibilidade de produzir sistemas radiculares abundantes, com raízes profundas, o que lhes confere a vantagem de buscar nutrientes e água através das camadas mais profundas do solo. Na realidade, a capturação de carbono pelo solo tem uma ação duplamente positiva, visto que aumenta a fertilidade do solo e ao mesmo tempo ameniza a emissão de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, o que diminui os efeitos do aquecimento global.

 

A EXPOSIÇÃO AOS PESTICIDAS É MAIOR DO QUE SE IMAGINA

É importante ressaltar que certos tipos de pesticidas nem sequer são contados quando os pesquisadores avaliam a contaminação por pesticidas nos alimentos. A bactéria do solo Bacillus thuringiensis (Bt) produz a toxina Bt – que age como pesticida, destruindo o estômago de certos insetos e os matando. Ela até é permitida na agricultura orgânica, onde é aplicada topicamente, visto que sofre fotodegradação ao longo do tempo, tornando-se inofensiva no momento em que o alimento chega ao nosso prato.

O problema é que às vezes o homem vai longe demais. Já há algum tempo certas culturas geneticamente modificadas, a exemplo do milho Bt, estão equipadas com um gene dessas bactérias. Essas plantas produzem a toxina Bt internamente, em todas as células da planta, da raiz às pontas. Toxicamente falando, essa versão de planta inventada é milhares de vezes mais concentrada do que o próprio spray. A toxina Bt interna é resistente a fotodegradação e certamente não será eliminada através da lavagem. Ela não é considerada na contagem de pesticidas, contudo certamente deveria. [2]

Mas atenção, provavelmente não faltarão alegações de que os alimentos transgênicos não são prejudiciais a nós humanos, e que as toxinas neles implantadas por manipulação genética afetam apenas as pragas e os insetos. Saiba, entretanto, que já temos alguns dados evidenciando que a modificação genética pode não ser uma das melhores estratégias afim de solucionar os problemas enfrentados na agricultura moderna.

Por exemplo, em 2011, médicos do Sherbrooke University Hospital, em Quebec, Canadá, encontraram toxina Bt no sangue de 93% das mulheres grávidas testadas e 67% das mulheres não grávidas testadas [3]. Achados desse tipo certamente são favorecidos pelo consumo excessivo e constante de milho Bt.

Embora não tenhamos uma dimensão exata dos riscos trazidos por toda essa exposição a pesticidas, se você é um incessante aprendiz da área da saúde e estuda profundamente o corpo humano já sabe que daí não pode sair coisa boa.

 

O PLANETA MUDOU MUITO!

O planeta de hoje não é mais aquele que costumava ser, e quando o assunto é saúde isso certamente não deve ser ignorado. As toxinas se tornaram mais presentes em nosso meio (algo imperceptível aos nossos olhos, mas que afeta diretamente nosso organismo). Os alimentos se tornaram mais pobres nutricionalmente (algo também imperceptível aos nossos olhos e que também afeta diretamente nosso organismo).

A crescente preocupação com a sustentabilidade do planeta, bem como a maior demanda por alimentos orgânicos não ocorrem por acaso. A menor ingestão de toxinas e o maior aporte de nutrientes essenciais ao corpo representam parte importante na caminhada rumo a uma vida longa e de qualidade, portanto se você ainda não se preocupa muito com essa questão, seria interessante parar por um segundo e começar um processo de reflexão.

É preciso entender que existe uma reação em cadeia, pois se o ambiente está mais tóxico, tanto as plantações quanto os animais também estarão mais tóxicos. Em adição, os animais, em sua grande maioria hoje, não vivem uma vida exatamente como a natureza um dia projetou. Por exemplo, é vastamente sabido que o peixe é um alimento extremamente benéfico (sobretudo por ser uma excelente fonte de ômega-3), todavia muito peixe hoje é criado em cativeiro, onde desfruta de uma alimentação diferente da qual originalmente deveria ser, portanto oferece muito menos ômega-3 do que deveria.

Além disso, vários desses peixes são expostos a antibióticos, pesticidas e outros produtos químicos. Hoje em dia também é bastante comum casos de contaminação por mercúrio em humanos devido ao alto consumo de produtos marinhos procedentes de águas contaminados. No planeta em que vivemos atualmente é necessário atentar-se a alguns detalhes, para que assim possamos avaliar se, de fato, o alimento ingerido resultará em um saldo positivo dentro do organismo. Em outras palavras, analisar se o benefício desse alimento superará seu eventual malefício.

 

“SER ORGÂNICO” NÃO DEVE SER O ÚNICO REQUISITO PARA AVALIAR SE UM ALIMENTO TE FARÁ BEM

Como bem citado em outros artigos, somos seres únicos e não respondemos de maneira idêntica a um mesmo alimento (acompanhe nosso artigo evidenciando as individualidades humanas). Já ficou claro que um alimento orgânico tem muito menos resíduos de pesticidas, o que por si só já o torna mais interessante. Certamente também é mais nutritivo.

Esses dois fatores contribuem para que o alimento seja, de fato, mais saudável, mas outros pontos também precisam ser considerados, principalmente quando falamos de produtos alimentícos – que apresentam um conjunto de ingredientes em sua composição. Como existem vários ingredientes ali, de repente você pode encontrar algo que eventualmente te traga prejuízos – coisas como açúcar, trigo, óleos nocivos, corantes artificiais, etc.

O caso é semelhante ao do glúten, pois hoje quase que virou uma moda achar que um produto alimentício livre de glúten é sinônimo de saudável. O que não podemos nunca nos esquecer é que essa é apenas uma de suas características, outras também precisam ser avaliadas. Um alimento orgânico é um excelente começo, mas não pare por aí, analise bem esse alimento para só então chegar à conclusão final – se ele será bom para você. Não caia nessa de ver um selo orgânico e já ir comprando sem pensar em mais nada.

É claro que isso vale mais para os produtos alimentícios – que, como dito, possuem muitos ingredientes misturados. Em geral, toda vez que você escolher um 'alimento' orgânico ao invés de um 'produto alimentício' orgânico você estará turbinando sua saúde e diminuindo suas chances de adquirir algo que possa não ser legal ao seu corpo, embora existam excessões. Por exemplo: o trigo por si é nocivo a muitos, mesmo aquele de cultivo orgânico; determinados vegetais e grãos possuem lectinas em sua composição as quais podem afetar algumas pessoas, mesmo quando orgânicos; o açúcar mascavo é carregado de carboidrato e frutose, mesmo em sua versão orgânica; etc. Mas esse já seria outro assunto.

Caso esteja planejando comprar produtos orgânicos que contenham vários ingredientes em sua composição, familiarize-se primeiro a ler atentamente o rótulo das embalagens e se aprofunde mais na nutrição, para que assim possa desenvolver um melhor discernimento no que diz respeito aos ingredientes que por ventura possam te prejudicar (ainda que o produto seja orgânico). O legal é que essa mesma tática vale para produtos alimentícios "gluten free" ou, ainda, aqueles que indicam "100% natural" em seus rótulos, caso você também tenha interesse em comprá-los. Quando você aprende a ler o rótulo fica mais difícil comprar algo que você saiba ser ruim à sua saúde.


OBSERVAÇÃO

Quando colocamos acima as nomenclaturas 'alimentos' e 'produtos alimentícios' o fizemos para distinguir os diversos produtos hoje disponíveis. Entenda como 'produtos alimentícios' aqueles que passaram por todo um processo de produção e possuem vários ingredientes – como biscoitos, cookies, massas, bolinhos, etc. –, e como 'alimentos' aqueles que possuem um ingrediente único (ex.: óleo de coco) ou uma combinação de ingredientes únicos (ex.: uma mistura de especiarias).


 

ATÉ QUE PONTO É NECESSÁRIO SE PREOCUPAR COM O CONSUMO DE ALIMENTOS ORGÂNICOS?

Agora que já explanamos bem as vantagens dos alimentos orgânicos, precisamos abordar uma quetão bastante pertinente. Até que ponto é necessário se preocupar em consumí-los? Bom, de um ponto de vista de sustentabilidade universal quanto mais pessoas começarem a se alimentar de orgânicos, maior será o incentivo aos produtores no sentido de buscarem o ajuste necessário às novas demandas. Em outras palavras, quanto maior for a demanda por alimentos orgânicos maior será sua produção e oferta.

Uma maior produção orgânica, por sua vez, significará uma menor produção convencional, o que no fim das contas se refletirá em um meio ambiente menos tóxico e mais nutrido o qual beneficiará plantas, animais e humanos. Claro que isso não é tão fácil quanto pode parecer escrito em um texto recheado de esperança, existem muitos problemas envolvidos, como conflitos de interesse, a questão da fome do mundo, etc. É simples, mas não é fácil.

De um ponto de vista de saúde a resposta se torna um pouco mais complexa, pois depende muito de alguns fatores, como: que alimentos serão ingeridos, o quanto será ingerido e o nível de funcionalidade dos sistemas de desintoxicação de cada pessoa. Acreditamos particularmente que quanto menos toxinas acumularmos ao longo de nossas vidas melhor envelheceremos, e para isso nada melhor do que não ingerí-las. Por isso incentivamos abertamente um consumo cada vez maior de alimentos orgânicos.

Ao mesmo tempo sabemos que isso ainda está longe de alcançar uma larga escala, por vários motivos. O lado bom é que dentre os alimentos convencionais existem aqueles que são menos contaminados com resíduos de pesticidas do que outros (e vice-versa) e estar ciente disso certamente poderá fazer uma diferença considerável a longo prazo. A Proteste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor) é uma entidade civil sem fins lucrativos, apartidária e independente de governos e empresas que atua na defesa e no fortalecimento dos direitos dos consumidores brasileiros desde 16 de julho de 2001.

Em um teste realizado em outubro de 2016, analisando amostras de supermercados do Rio de Janeiro e de São Paulo, a entidade revelou que em 14% das amostras os níveis de pesticidas estavam acima dos recomendados pela Anvisa e em 37% havia substâncias não autorizadas para o plantio de determinado tipo de alimento ou proibidas no Brasil (porque não tiveram sua segurança para a saúde comprovada). Pimentão verde e morango foram os líderes de contaminação por resíduos de agrotóxicos. Maçã e tomate também apresentaram problemas, assim como o milho e a farinha de trigo.

Embora faltem dados sobre muitos outros alimentos (até pela quantidade enorme de variedades cultivadas, o que torna difícil a análise de todas), essas informações já parecem ser bastante úteis. Aqui também podemos usar o bom senso e a lógica a nosso favor, pois certos alimentos claramente possuem proteções mais eficientes que diminuem a exposição geral de seu conteúdo aos diversos pesticidas.

Por exemplo: maçãs de cultivo convencional são mais propícias a nos transmitir produtos tóxicos do que laranjas cultivadas da mesma forma, considerando que a laranja possui uma casca mais grossa e que na maioria das vezes será descartada.

 

REDUZINDO A CARGA TÓXICA DE ALIMENTOS CONVENCIONALMENTE CULTIVADOS

Enquanto que a melhor maneira de se evitar a ingestão de agrotóxicos certamente é o consumo de orgânicos, existem algumas estratégias que podem reduzir a indesejada exposição a químicos tóxicos provenientes de alimentos convencionalmente produzidos, tais como lavar frutas e vegetais em água corrente, esfregando-os bem, ou fazer uso de alguns componentes, como bicarbonato de sódio, vinagre ou tintura de iodo.

Um estudo de 2017 avaliou a eficácia de várias práticas domésticas na redução da carga tóxica em tomates. Os testes foram realizados utilizando dois fungicidas sistêmicos (azoxistrobina e difenoconazol) e um fungicida de contato (clorotalonil).

Lavar os tomates com água removeu aproximadamente 44% de clorotalonil, 26% de difenoconazol e 17% de azoxistrobina. Soluções com bicarbonato de sódio e ácido acético foram mais eficientes, removendo de 32 a 83% dos resíduos, enquanto que a remoção da casca eliminou de 68 a 88% dos pesticidas.

Em outra publicação, do mesmo ano, também ficou evidente a eficácia do bicarbonato de sódio. Esse estudo revelou que resíduos de pesticidas em maçãs foram removidos com maior eficiência pelo uso de uma solução de bicarbonato de sódio do que pela lavagem em água de torneira ou pela utilização de um produto denominado Clorox.

Em um país recordista no uso de agrotóxicos, tudo que pudermos fazer para minimizar o problema certamente será válido, principalmente quando consideramos que nem todos possuem condições de manter um consumo de alimentos orgânicos.

 

UMA ABORDAGEM AINDA MAIS PODEROSA: A AGRICULTURA BIODINÂMICA

A agricultura biodinâmica é uma abordagem espiritual-ética-ecológica, desenvolvida por Rudolf Steiner, na década de 1920. Ela é capaz de proporcionar colheitas muito superiores às convencionais e ao mesmo tempo preservar a saúde do solo e do ecossistema, isso tudo de modo mais eficiente que o método orgânico sozinho.

Na abordagem biodinâmica uma fazenda é vista como um organismo vivo, onde o solo, as plantações e os animais são todos um único sistema. Nela, todo o local de produção é um organismo auto-sustentável, que segue os ciclos da natureza, que é capaz de originar sua própria saúde e vitalidade a partir da dinâmica viva existente dentro de sua área.

O padrão denominado orgânico é a base da agricultura biodinâmica. Isso significa que a agricultura biodinâmica oferece as vantagens da orgânica e mais, levando em conta a ideia de que tudo nela é um sistema único, onde soluções para doenças e pragas e controle de ervas daninhas vêm do próprio sistema agrícola. Podemos dizer que o padrão biodinâmico está um degrau acima do orgânico.

Orgânico x Biodinâmico

É importante salientar que todo produtor biodinâmico é orgânico, porém nem todo produtor orgânico é biodinâmico. O conceito de orgânico é mais sobre aquilo que não se faz. Nele, o produtor não utiliza fertilizantes sintéticos ou pesticidas. Também não faz uso de sementes de organismos geneticamente modificados (OGMs). Não utiliza lodo de esgoto na fazenda, não expôe à irradiação aquilo que está sendo produzido, etc.

O conceito de biodinâmico, por sua vez, possui as mesmas obrigações, porém oferece um "toque" a mais no que se refere à rigorosidade aplicada em toda a cadeia produtiva. Como já mencionado, o produtor biodinâmico tem de buscar recursos dentro da própria área de produção para manter o andamento do ciclo, assim como a vitalidade dos alimentos – fato que caracteriza-se como uma verdadeira auto-sustentabilidade.

Na abordagem orgânica muito do aplicado na biodinâmica não precisa necessariamente ser seguido. Por exemplo, enquanto o produtor orgânico pode comprar comida orgânica para o gado e/ou trazer de fora fertilizantes orgânicos para a fazenda, o biodinâmico obtém tudo o que precisa de sua própria fazenda. A intenção no conceito biodinâmico é permitir que a integridade dos ingredientes agrícolas defina o produto final, para que assim possa-se obter alto teor de ingredientes biodinâmicos com o mínimo de processamento.

Em suma, a agricultura/produção biodinâmica é melhor que a orgânica, uma vez que ela aplica todos os princípios da orgânica com a agregação de práticas que permitem uma interação muito maior entre aquilo que está sendo produzido e aquilo que faz parte da mãe natureza, sem interferências externas. O conceito de biodinâmico é, sem sombra de dúvidas, uma forte tendência para o futuro.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como ficou bem explícito nesse artigo, o consumo de alimentos orgânicos é muito mais do que uma menor ingestão de toxinas (embora isso por si já seja algo maravilhoso). O maior consumo de alimentos orgânicos nos beneficiará de várias formas, pois no geral eles serão menos tóxicos e mais nutritivos, com destaque para os maiores teores de antioxidantes.

Em adição, animais que vivem da maneira como a mãe natureza originalmente projetou oferecerão muito mais vantagens à saúde humana (através de suas carnes ou subprodutos). Além disso, o maior consumo de alimentos orgânicos incentivará cada vez mais sua produção e oferta, o que, por sua vez, acabará beneficiando o planeta como um todo.

Infelizmente ainda estamos longe do ideal – produções orgânicas e biodinâmicas em larga escala –, mas certamente estamos caminhando, pois com o passar do tempo vai ficando cada vez mais evidente que o mundo, de fato, perdeu muito daquilo que o criador um dia nos ofertou. Uma certeza que fica é que o futuro da nossa saúde e do nosso planeta, querendo ou não, está em nossas mãos.


Referências:
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