ÓLEO DE COCO: POR QUE É BOM, COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES

À medida que olhamos para as civilizações, em todo o mundo, que consumiram óleo de coco por décadas, e até séculos, percebemos que existe uma diferença nítida na saúde desses indivíduos. Podemos destacar populações como as da Polinésia (no Sul do Oceano Pacífico), incluindo Pukapuka e Tokelau, onde as pessoas costumam comer muito coco e apresentam baixíssima incidência de doenças cardíacas. Pesquisadores afirmam que a doença cardiovascular (DCV) é incomum nessas populações e que não existe correlação alguma entre a alta ingestão de gorduras saturadas e efeitos nocivos.

 

A INJUSTIÇA

A gordura bruta do coco foi muito utilizada no passado, sendo substituída, posteriormente, devido ao advento dos óleos vegetais processados. Vilanizado, o óleo de coco foi esquecido, principalmente depois da época em que todos os alimentos ricos em gorduras saturadas foram considerados promotores de doenças cardíacas. Foi a era da "mania antigordura", com grande ênfase na gordura saturada. Só para se ter uma noção, no início dos anos 1900 a falácia da gordura saturada (e também do colesterol) já estava se projetando e recebeu ainda mais suporte nos anos seguintes. Saiba mais em Desvendando a teoria do colesterol e a demonização da gordura saturada.

 

A ERA DOS ÓLEOS VEGETAIS PARCIALMENTE HIDROGENADOS

Anos após a publicação do "Estudo dos sete países", nos Estados Unidos foi montada pelas companhias de soja e milho uma poderosa máquina de marketing, com o apoio da American Heart Association, destinada a mudar os conceitos da dieta americana, substituindo as gorduras saturadas pelas insaturadas de óleos vegetais ultraprocessados. Esse fato causou mudanças significativas na dieta norte americana dos últimos 50 anos pra cá, o que resultou em uma população mais obesa, doente e com maior predisposição a problemas cardíacos. Hoje, embora muitos ainda estejam parados no tempo, as pesquisas vêm demonstrando cada vez mais que uma alimentação baixa em gordura saturada não é o caminho para a prevenção de DCVs.

 

O RESSURGIMENTO DO ÓLEO DE COCO

Por uma questão de mercado e interesses da indústria de alimentos, a "era das gorduras hidrogenadas" anunciava as margarinas como as "salvadoras" da humanidade, no entanto hoje já sabemos que elas são na verdade muito prejudiciais. Primeiramente apareceram em forma de gorduras trans, sendo fabricadas através do processo de hidrogenação.

Depois, quando finalmente a comunidade médica reconheceu os perigos das gorduras trans, apareceram na forma de gorduras interesterificadas – essas gorduras são fabricadas através de manipulações anormais de moléculas lipídicas e trazem preocupações de saúde semelhantes às oferecidas pelas gorduras trans (saiba mais em Manteiga x margarina: esteticamente semelhantes, nutricionalmente bem distintas).

Diante de tais fatos, as atenções se voltaram novamente para a manteiga, de onde, na realidade, nunca deveriam ter saído. Hoje, o mesmo vem acontecendo com o óleo de coco, já que estão cada vez mais evidentes os malefícios trazidos pelos óleos vegetais típicos de cozinha (óleos de milho, soja, girassol e canola). Esses óleos são tóxicos ao organismo e causam inflamações e DCVs. Além disso, óleo de coco possui diversas propriedades que favorecem a saúde de algumas maneiras.

 

COMPONENTES DIFERENCIAIS DO ÓLEO DE COCO

Além de pequena concentração de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K), óleo de coco possui componentes chave que o tornam diferenciado:

  • Triglicerídeos de cadeia média (TCMs): o óleo de coco é o alimento mais rico em TCMs. Esses ácidos graxos possuem uma estrutura química diferente da dos TCLs (triglicerídeos de cadeia longa). Isso significa que são metabolizados de forma distinta, de maneira muito menos complexa. Uma vez ingeridos, TCMs não necessitarão de bile para serem digeridos, e ao atravessarem a parede do intestino serão enviados diretamente ao fígado para que possam ser utilizados como energia. Um estudo de 2018 mostra como os TCMs podem melhorar a performance atlética via aumento da biogênese de mitocondrias e do metabolismo;

  • Ácido láurico: o ácido láurico é um TCM que constitui 47% do índice de ácidos graxos do óleo de coco. Quando em contato com pH ácido do estômago (equivalente a 2,0) transforma-se em monolaurina, um poderoso antivirótico, antibacteriano e antifúngico, que não gera resistência nem efeitos colaterais. A monolaurina também age contra a ação de parasitas. Óleo de coco ainda possui ácidos caprílico e cáprico (em quantias menores), TCMs com propriedades semelhantes às do ácido láurico, mas que se destacam mais por serem uma fonte rápida de energia.

 

COMPOSIÇÃO DE ÁCIDOS GRAXOS DO ÓLEO DE COCO

Os ácidos graxos classificam-se como de cadeia curta, média ou longa. Os principais de cadeia curta (até 6 carbonos) incluem: acético (etanoico), propiônico (propanoico), butírico (butanoico), valérico (valeriânico) e caproico (hexanoico). Os de cadeia média (8 a 12 carbonos) correspondem ao caprílico (n=8), ao cáprico (n=10) e ao láurico (n=12). Os principais de cadeia longa (14 ou mais carbonos) são mirístico (n=14), palmítico (n=16), esteárico (n=18), araquídico (n=20), beénico (n=22) e lignocérico (n=24).

Essa quantia de carbonos citada tem a ver com a estrutura química das gorduras, é ela que irá decidir se um ácido graxo é de cadeia curta, média ou longa. Se você achava chata as aulinhas de química do ensino médio e pensou que nunca mais fosse usar aqueles desenhos complicados, eis aqui uma situação onde isso faz toda a diferença. Abaixo a composição de ácidos graxos do óleo de coco e suas respectivas quantidades de carbonos:


OBSERVAÇÃO

Importante mencionar que o ácido láurico, apesar de ser classificado como um ácido graxo de cadeia média, ele pode agir dentro do organismo de forma mais parecida com um ácido graxo de cadeia longa. Portanto, quando comparados ao láurico, ácidos caprílico e cáprico (principalmente o caprílico) são assimilados de forma ainda mais fácil pelo organismo e são transformados em energia de maneira muito mais eficiente. Os melhores suplementos de TCM trazem uma combinação de caprílico + cáprico. Isso os torna muito mais poderosos que o óleo de coco em termos de fornecimento rápido de energia, principalmente para o cérebro.


 

ÓLEO DE COCO CONTRA DOENÇAS

Óleo de coco tem efeito antitrombótico e inibe a peroxidação lipídica, agindo como antioxidante devido a seu conteúdo de vitamina E e ácido gálico. Esses e outros benefícios são comprovados em artigos e na literatura científica, que destacam sua ação na prevenção e no tratamento de diversas patologias, como mal de Alzheimer, HIV/AIDS, DCVs, câncer, diabesidade (diabetes + obesidade) e infecções. Os corpos cetônicos – incluindo acetona, acetoacetato e betahidroxibutirato – podem ser facilmente gerados a partir dos TCMs do óleo de coco e contribuem significativamente para o metabolismo energético do cérebro. Em seu livro, Dra. Mary T. Newport, após tratar seu marido com óleo de coco e TCMs, relata como a dieta cetogênica auxilia na remissão e na cura do mal de Alzheimer, resultando em uma regressão importante, tanto na sintomatologia motora quanto cognitiva.

 

ÓLEO DE COCO PARA EMAGRECIMENTO

No processo de emagrecimento, amplamente pesquisado por Geliebter [1], a maior contribuição dos TCMs refere-se ao seu total calórico (6,8-8,6 kcal/g para os TCMs e 9,0 kcal/g para os TCLs) unido ao estímulo causado sobre o metabolismo basal (TCLs acima de 4% e TCMs superior a 14%). TCMs são mais rapidamente absorvidos e transformados em energia, não são armazenados na forma de gordura, estimulam discretamente a função tireoidiana e provocam saciedade.

 

ÓLEO DE COCO NA COZINHA

Além de oferecer todos os seus benefícios, óleo de coco, quando utilizado para preparar os alimentos, não gera gorduras trans e substitui tranquilamente os óleos vegetais típicos de cozinha. Esses são pró-inflamatórios, já que se oxidam facilmente e em sua maioria desbalanceiam a importante relação ômega-6/ômega-3 dentro do organismo. Devido à não geração de gordura trans, óleo de coco é ideal para cozinhar, assar e fritar alimentos.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Óleo de coco é um dos alimentos mais injustiçados dos últimos anos, e a grande desinformação espalhada desde o início do século passado envolvendo colesterol e gordura saturada certamente teve grande parcela nesse processo. Não bastasse, temos um sistema médico baseado em remédios e com pouca orientação nutricional de qualidade. Óleo de coco é um alimento com propriedades interessantes que pode contribuir muito para uma vida mais saudável e não um ingrediente perigoso como muitas vezes as grandes mídias querem que você acredite.


Referências:
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