LECTINAS: UMA VISÃO ABRANGENTE SOBRE DETERMINADOS ALIMENTOS QUE PODE FAZER A DIFERENÇA NA SUA SAÚDE

Na área da nutrição muitas vezes a interação do alimento com o organismo humano pode surpreenderO caso das lectinas, encontradas principalmente no reino vegetal, demonstra claramente isso. Várias pessoas sofrem danos com a ingestão de determinados alimentos contendo lectinas, mas isso não é esclarecido muitas vezes, uma vez que muitos desses alimentos são saudáveis de outros modos e, justamente por isso, não levantam suspeitas. Nesse artigo veremos o que são lectinas, seus potenciais efeitos adversos ao organismo humano e os principais alimentos fontes de lectinas que podem estar prejudicando a sua saúde sem ao menos você se dar conta.

 

O QUE SÃO LECTINAS?

Antes de tudo precisamos nos certificar de que você não confunda lectinas com o fosfolipídeo lecitina nem com o hormônio leptina, são coisas diferentes. Bom, do ponto de vista evolutivo qualquer ser vivo, incluindo as plantas, possui um sistema naturalmente programado para crescer, prosperar e propagar.

Pois bem, uma vez que as plantas não podem fugir de insetos, pragas ou quaisquer outros predadores, elas utilizam químicas para se defender. Um dos principais sistemas de autodefensa do reino vegetal são as lectinas.

As lectinas são proteínas vegetais, às vezes chamadas de proteínas pegajosas ou proteínas de ligação a açúcar, isso porque elas procuram e se ligam a determinadas moléculas de açúcar na superfície das células dentro do nosso organismo. Existem muitos tipos de lectinas, e a principal diferença entre elas é o tipo de açúcar que cada uma prefere e se liga.

Algumas lectinas – incluindo a aglutinina de germe de trigo, encontrada em trigo e outras sementes de gramíneas – se ligam a receptores específicos em células da mucosa intestinal e interferem na absorção de nutrientes. Elas funcionam como "antinutrientes", além de atuarem negativamente sobre a microbiota intestinal.

 

QUAIS PREJUÍZOS AS LECTINAS PODEM NOS TRAZER?

As lectinas podem ser a causa oculta de vários problemas de saúde, uma vez que elas estão presentes em alguns alimentos considerados bons alimentos. Como o assunto ainda é pouco abordado, pelo menos aqui no Brasil, existem muitas pessoas comendo de maneira "saudável" que não alcançam saúde plena em virtude do alto consumo de lectinas. Isso não significa necessariamente que todos nós sejamos afetadas, mas precisamos, no mínimo, estar cientes de que o problema existe.

O caso é parecido com o do glúten, que hoje sabemos ser tóxico para a maioria das pessoas (embora existam profissionais da saúde que ainda joguem um pano preto no assunto). As lectinas têm sido associadas a reações autoimunes e inflamações, e muitas delas são tóxicas às nossas células e nervos. Certos tipos podem aumentar a viscosidade do sangue, interferir na expressão gênica, interromper a função endócrina e ocasionar resistência à leptina (hormônio regulador do apetite).

Em insetos, por exemplo, lectinas ligam-se a um açúcar chamado ácido siálico, que, dentre outras características, fica localizado entre as terminações dos nervos. Os nervos se comunicam entre si via acetilcolina, a qual salta de um nervo para o outro através desse espaço. O ácido siálico permite que esse processo aconteça, mas quando a lectina liga-se a ele a transmissão entre os nervos é interrompida e o inseto tende a ficar paralizado.

Se analisarmos bem, esse é um sistema de defesa bastante funcional das plantas, pois a partir do momento que um inseto não consegue mais se mover, automaticamente também não poderá mais ameaçar a sua espécie.

Fazendo uma analogia interessante, nós seres humanos não passamos de insetos gigantes, por isso um determinado nível de dano que pode ser sofrido por um inseto de forma bastante rápida comendo algumas lectinas pode levar anos até que seja sofrido por nós. Pode ser que não aconteça nada também, já que somos maiores e temos vários sistemas de defesa. O importante mesmo é ter consciência de que esse risco existe.

O mais interessante é que esses fatos não são tão recém conhecidos assim. Por exemplo, existe uma publicação de 1999 onde já estão descritas as possíveis adversidades trazidas por essa proteína e que menciona um caso de intoxicação em 1988, provavelmente causada pela lectina do feijão.

Caso esteja sofrendo com alguma doença autoimune, você precisa considerar uma dieta restrita em lectinas, pois isso certamente lhe trará benefícios. Todavia existe uma certa complexidade aqui, pois se você tentar tirar completamente as lectinas da sua vida poderá, na ausência de uma estratégia específica, perder nutrientes importantes provindos de alimentos contendo lectinas. Isso, na realidade, precisa ser feito com cautela.

O ideal seria fazer experiências e descobrir exatamente quais alimentos te causam problemas. Inchaço, gases e dor nas articulações após comer alimentos contendo lectinas pode ser um sinal de que o seu corpo é afetado por essa proteína. Importante ressaltar que, como as lectinas podem afetar a função endócrina e interferir com o funcionamento do hormônio leptina, elas também poderão dificultar a perda de peso.

 

A INTERAÇÃO ORGANISMO HUMANO/LECTINAS

Dr. Steven Gundry é um cirurgião cardiovascular e grande pesquisador que se dedicou por anos ao estudo do microbioma humano e já ajudou a mudar a vida de incontáveis homens e muheres.

Autor do livro "The Plant Paradox: The Hidden Dangers in 'Healthy' Foods That Cause Disease and Weight Gain", Gundry sugere que algumas lectinas de plantas podem contribuir para a hiperpermeabilidade intestinal, ligando-se a determinados receptores em células da mucosa intestinal, interferindo na absorção de nutrientes.

Segundo ele, o glúten é um problema menor do que a aglutinina de germe de trigo (lectina do trigo), uma vez que esta mostrou-se ser uma das maneiras mais eficientes de induzir doenças cardíacas em animais experimentais.

Devido aos seus efeitos autoimunes e inflamatórios, as lectinas são particularmente tóxicas para pessoas que estejam lutando contra doenças autoimunes. Uma maneira pela qual as lectinas podem provocar problemas, e principalmente autoimunidade, em nosso corpo é através de um fenômeno chamado mimetismo molecular.

Por exemplo, ao entrarem na corrente sanguínea – através de um intestino já bastante permeável, seja pela alta ingestão de lectinas, glúten ou outros motivos –, lectinas tendem a ocasionar esse fenômeno, isso porque sua estrutura química é composta por uma cadeia de aminoácidos semelhante àquelas encontradas na tireoide, nas articulações e nos nervos.

Daí o nome mimetismo molecular, é como se as lectinas mimetizassem (imitassem) as proteínas de partes distintas do nosso corpo. O resultado final é que o organismo cria defesas contra o "intruso" (no caso as lectinas) e consequentemente contra si mesmo, dando origem a doenças autoimunes diversas.

A razão pela qual as lectinas em alguns indivíduos causam vitiligo, em outros psoríase, em outros problemas na tireoide e em outros artrite reumatoide ainda é desconhecida (talvez seja pela propensão individual). O que se sabe é que um dos fatores em comum entre todos esses processos é a penetração de lectinas e lipopolissacarídeos (LPSs) através da parede intestinal, os quais tendem a causar respostas imunes muito fortes.

Os LPSs (também conhecidos como endotoxinas) tratam-se de bactérias mortas ou, mais precisamente, das paredes celulares de bactérias mortas, mas que nosso sistema imunológico interpreta como bactérias vivas e monta defesas imunes contra os possíveis invasores.


OBSERVAÇÕES

O mimetismo molecular não é ocasionado exclusivamente pelas lectinas. Na realidade, uma vez que você tem uma hiperpermeabilidade intestinal o seu organismo estará propenso a sofrer os mesmos efeitos a partir de proteínas gerais oriundas da dieta.

Caso seu sistema digestivo "falhar"* em alguma etapa da digestão dessas proteínas (as quais deveriam ser quebradas em aminoácidos), elas poderão "vazar" do intestino para a corrente sanguínea sem serem digeridas, dando origem ao problema.

*Por isso é também extremamente importante mastigar bem os alimentos e manter o correto funcionamento do estômago, considerando que na boca é onde de fato se inicia a digestão, com trituração da comida e liberação de amilase, e no estômago existe uma continuação, com ácido clorídrico, pepsina e outras enzimas. Se o processo começar e seguir de maneira precária o intestino certamente acabará experimentando consequências.

Mas atenção, se você está sofrendo com indigestão na porção estomacal, saiba que a grande maioria das pessoas que passam por esse tipo de problema apresenta um quadro de hipocloridria (deficiência de ácido clorídrico no estômago).

Isso é largamente tratado, principalmente dentro da medicina convencional, com inibidores da bomba de prótons, drogas que na realidade suprimem ainda mais a produção desse componente tão importante. Procure sempre por profissionais de saúde bem entendidos e atualizados no assunto.


 

QUAIS ALIMENTOS COM LECTINAS PODEM ESTAR TE PREJUDICANDO?

Partindo do princípio que seria extremamente complicado evitar todas as lectinas – visto que elas são encontradas na maioria dos alimentos de origem vegetal –, o primeiro passo é ficarmos de olho nas mais problemáticas. Caso você apresente qualquer problema de saúde persistente e esteja consumindo um ou mais dos alimentos apresentados abaixo, talvez seja a hora de eliminá-los da sua dieta.

  • Grãos em geral: especialmente grãos inteiros são ricos em lectinas, inclusive os livres de glúten. Pode soar estranho, mas desse ponto de vista o arroz branco, por exemplo, seria uma opção melhor do que o arroz integral, isso por que o casco do grão (o qual é polido no processo de refinamento) contém a maior parte das lectinas perigosas. Atente-se ao milho, soja, quinoa, arroz integral, trigo, trigo integral, aveia e outros;

  • Feijões e leguminosas: feijões possuem mais lectinas do que qualquer outro alimento. Atente-se aos feijões, ervilhas, lentilhas e outras leguminosas. A boa notícia é que o processo de cozimento na panela de pressão reduz praticamente toda a carga de lectinas nesses alimentos;

  • Amendoim e castanha-de-caju: enquanto que o amendoim é uma leguminosa, a castanha-de-caju parece não ter uma definição muito clara. De qualquer maneira, atente-se também a esses dois alimentos;

  • Integrantes da família Solanaceae: aqui podemos mencionar alimentos como tomate, batata, berinjela, pimentão, pimenta-caiena, goji berry, entre outros. Tirar a casca e as sementes desses alimentos, cozinhá-los na panela de pressão ou fermentá-los reduzirá a quantidade de lectinas;

  • Integrantes da família Cucurbitaceae: isso inclui abóbora, abobrinha, pepino, melão, etc. A casca e a semente desses alimentos possuem a maior parte das lectinas, portanto descartá-las sempre será uma boa estratégia;

  • Determinadas sementes: sementes de girassol, sementes de abóbora, sementes de chia, sementes das famílias Solanaceae e Curcubitaceae.

Importante deixar bem claro: os alimentos acima mencionados são os mais conhecidos por causarem problemas, todavia a lista geral de alimentos com lectinas é quase infinita. Se você não tem nenhum problema de saúde, não precisa fugir das lectinas como o diabo foge da cruz, mas é importante estar ligado(a)! A ideia aqui é colocar os fatos sobre a mesa e mostrar os possíveis sabotadores da nossa saúde, dos quais nós nunca desconfiaríamos sem ter um conhecimento amplo.

A propósito, existem estudos mostrando possíves usos terapêuticos das lectinas, inclusive no câncer. O mais importante de tudo é que o nome lectina seja colocado cada vez mais em debate, pois dessa forma novos conhecimentos sobre seus efeitos serão obtidos, sejam esses efeitos benéficos ou maléficos.


INTERESSANTE SABER

A proteína caseína A1, encontrada na maioria dos leites de hoje, até já é bastante conhecida. O que talvez muitos não saibam é que ela é uma substância semelhante à lectina. A caseína A2 é a proteína normal no leite, além do soro de leite. Ela está presente no leite de ovelhas, cabras e búfalos. Contudo a maioria das vacas hoje é produtora de caseína A1 (isso aconteceu devido a uma mutação genética espontânea). Quando consumida, a caseína A1 será metabolizada no intestino e convertida em uma proteína chamada beta-casomorfina. Essa, por sua vez, poderá se conectar à célula beta do pâncreas, acarretando episódios autoimunes nesse orgão. O diabetes tipo 1 em crianças é um sério candidato a ser ocasionado por esse mecanismo.


 

TODOS DEVERIAM SE PREOCUPAR COM AS LECTINAS?

De acordo com Gundry, as lectinas não chegam a ser tão problemáticas se você estiver saudável, pois o corpo humano normalmente possui sistemas de defesa internos contra lectinas. Em entrevista cedida a Dr. Mercola, em dezembro de 2017, Gundry diz:

"Temos um incrível sistema mucoso que pode se ligar às lectinas. Temos ácido em nosso estômago, que é muito bom em quebrar proteínas. Temos um microbioma incrível, muito do qual desfruta de comer lectinas. Nós temos todos esses sistemas de defesa"

Para ele o problema é que poucas pessoas atualmente possuem sistemas de defesa totalmente funcionais, isso devido ao uso excessivo de antibióticos, anti-inflamatórios não esteroides, inibidores da bomba de prótons, etc. Gundry completa:

"Nosso sistema de defesa no Ocidente foi dizimado, então estamos vendo mais o efeito que essas lectinas podem causar... Todo mundo é um pouco diferente, mas... uma vez que nós recuperamos a boa forma do intestino, que nós resolvemos a hiperpermeabilidade intestinal... então é hora de, se você quiser, reintroduzir lectinas na dieta – comece com pequenas quantidades de vegetais, tire a casca e as sementes deles se quiser. Certamente, o cozimento na panela de presssão resolve o problema para a maioria das pessoas..."

Se você se considera uma pessoa saudável, sempre teve uma alimentação adequada, nunca foi exposto ao uso excessivo de medicamentos e não apresenta nenhum tipo de condição persistente, você provavelmente tem uma tolerância maior às lectinas e não é afetado.

Em contrapartida, se você está sempre com aquele probleminha de saúde que não te deixa em paz (aquele que vai e volta e nunca vai embora de vez), se você apresenta doenças inflamatórias crônicas ou, ainda, se você sofre de alguma doença autoimune, não há dúvidas de que seja algo inteligente retirar o máximo de lectinas da dieta.

 

DESCONFIO ESTAR SENDO AFETADO PELAS LECTINAS, E AGORA?

Gundry apresentou um documento que foi aceito para apresentação na American Heart Association EPI Lifestyle Scientific Sessions em março de 2018. Esse documento mostra que 90 dos 102 pacientes tinham remissão completa de todos os biomarcadores para doenças autoimunes removendo lectinas da dieta dentro de um período de seis meses.

Esse período pode ser tomado como parâmetro, porém isso não significa necessariamente que você precisaria esperar esse mesmo tempo até que fossem observadas melhoras em sua saúde, isso poderia acontecer antes (caso as lectinas, de fato, estejam te afetando).

Caso você sofra de problemas recorrentes ou autoimunidade e desconfie que as lectinas sejam as causadoras, lembre-se de que fazer experiências é algo gratuito e praticamente não oferece efeitos colaterais (exceto pelos possíveis efeitos benéficos). Contanto que você introduza outros alimentos nutritivos que supram a ausência daqueles excluídos você estará com a nutrição em dia.

Dentre os alimentos de origem vegetal considerados seguros no que diz respeito a lectinas, podemos evidenciar alguns, como batata doce, mandioca, inhame, folhas verdes (couve, alface, espinafre, chicória, etc.), crucíferas (brócolis, repolho, couve-flor, couve-de-bruxelas), abacate, azeitonas e azeite de oliva extravirgem autêntico. 

Já dentre as condições de maior expressão que, de fato, poderão ser atenuadas com uma restrição rigorosa de lectinas estão: doenças do coração, tireoidite de Hashimoto e outros distúrbios da tireoide, doença de Crohn, síndrome do intestino irritável (SII), diabetes, obesidade e artrite reumatoide.


OBSERVAÇÃO

Reforçando que os alimentos citados acima são os mais seguros no que diz respeito às lectinas. É importante ter em mente que vegetais possuem um arsenal bioquímico de substâncias que os protegem contra predação, a lectina é apenas uma dessas substâncias. Por exemplo: vegetal "x" pode não ser problemático devido a lectinas, mas pode conter oxalatos, vegetal "y" pode não conter oxalatos, mas de repende goitrogênicos, e assim por diante. Não à toa as dietas de eliminação têm se tornado mais difundidas ultimamente.


 

COMO REDUZIR A CONCENTRAÇÃO DE LECTINAS NOS ALIMENTOS?

Muitos já devem ter visto na casa da avó (ou até mesmo da mãe) uma tigela em cima da pia cheia de água com os grãos de feijão de molho. Provavelmente os mais antigos faziam esse procedimento apenas para que no dia seguinte os grãos cozinhassem mais rápido. O que talvez eles não soubessem é que essa prática sempre ajudava na eliminação de antinutrientes, inclusive lectinas. Bom, essa é uma das maneiras de reduzir a lectina dos alimentos, porém existem outras. Abaixo artimanhas que você pode adotar:

Em relação ao cozimento na panela de pressão, além de contribuir na diminuição de lectinas em certos alimentos, ele ainda economizará gás e tempo, bem como preservará mais nutrientes do que outros métodos de cozimento.

Nota: a tática de deixar os grãos de molho é mais eficaz se você deixá-los por no mínimo 12 horas, trocando a água de tempos em tempos e descartando-a no final. Adicionar bicarbonato de sódio na água potencializará a neutralização das lectinas.


OBSERVAÇÃO

A Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos afirma que comer apenas quatro ou cinco feijões crus pode causar toxicidade da fitohemaglutinina, que muitas vezes é caracterizada por náuseas, vômitos e diarreia extremos. A organização observa vários incidentes de envenenamento relacionados ao mal cozimento de feijão, o que certamente pode ser favorecido pelo uso de fogões muito lentos ou pelo não uso de panelas de pressão. Por isso, grãos de feijão devem ser sempre muito bem cozidos, de preferência na panela de pressão.


 

RECOMENDAÇÕES VALIOSAS PARA INDIVÍDUOS QUE SOFREM DE DOENÇAS AUTOIMUNES

De acordo com Gundry, aquilo que você deixa de comer é muito mais importante do que aquilo que você começa a comer. Na verdade isso faz todo sentido, pois, a partir do momento que consideramos que a maioria das doenças se inicia no intestino, se ele não estiver saudável, devido a ingestão desenfreada de alimentos agressores, estaremos propensos a doenças diversas, inclusive as autoimunes.

Glúten e lectinas certamente estão entre os principais causadores da hiperpermeabilidade intestinal. Por isso, em situações como essa – doença autoimune –, por mais que se consuma alimentos e/ou suplementos que ajudem na reconstrução do ambiente intestinal, enquanto houver o fluxo constante dessas substâncias no trato digestivo o problema não será vencido por completo e a autoimunidade será perpetuada.

Outro ponto importante a ser observado são os níveis de vitamina D. Indivíduos com doenças autoimunes normalmente apresentam deficiência dessa vitamina (a qual, na realidade, age como um hormônio). Dentre suas múltiplas funções no organismo, vitamina D é essencial para sinalizar as células-tronco no fundo das criptas nas vilosidades intestinais, para que elas cresçam e se dividam. Sem vitamina D suficiente, é como se elas ficassem lá quietinhas e não fizessem o reparo necessário ao intestino.


OBSERVAÇÃO

Cabe ressaltar aqui a importância da vitamina D obtida através dos raios solares. Considerando que você já esteja com uma disfunção intestinal instalada, tomar quinze minutos ou mais de sol todos os dias, essencialmente por volta do meio-dia, contribuirá e muito para que a integridade do seu intestino seja recuperada. Infelizmente hoje em dia o próprio "sistema de saúde" faz com que a população, de maneira geral, tenha um medo exagerado do sol (mas isso já seria assunto para um outro artigo).


 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A área da nutrição possui diversas variantes e em muitos casos o que faz bem para um indivíduo pode não fazer tão bem para outro. A melhor maneira de driblar essa situação é conhecer as variantes existentes, bem como entender profundamente o próprio corpo. Para dar um exemplo extremo, o ovo é um alimento fantástico, mas se você for alérgico a ele provavelmente ele te fará mal.

Muitos dos alimentos citados nesse artigo são comida de verdade, mas devemos estar cientes de que o problema com as lectinas se trata de algo real e que não deve ser negligenciado. Quantas pessoas podem estar nesse exato momento dando o máximo para ter uma alimentação adequada sem alcançar resultados? E o pior, elas não entendem por que isso acontece. Quem sabe essa não seja a resposta chave para essas pessoas.

Quem sabe essa também não seja a resposta chave para aqueles que sofrem de doenças autoimunes e sempre foram bombardeados com a ideia de que sua condição é idiopática e sem solução. Dr. Gundry talvez seja a melhor fonte de informações sobre o tema "lectinas". No decorrer de anos ele veio fazendo pesquisas e experimentos em seus pacientes e trouxe fortes evidências de que as lectinas, de fato, são um grande desafio para muitos, e que a simples retirada delas da dieta pode trazer resultados impressionantes.

Apesar disso, de modo algum devemos ficar obsecados e querer eliminar todas as lectinas da dieta de maneira irresponsável e desorganizada. É preciso ter uma estratégia específica em mãos para garantir o aporte de uma nutrição adequada.

Após esse texto, se você tiver alguma suspeita de que as lectinas estão afetando a sua saúde, o mais inteligente seria fazer experiências consigo mesmo, identificar os alimentos que mais te prejudicam e então cortá-los da dieta. Além disso, certifique-se de preparar suas refeições de forma adequada (utilizando as estratégias abordadas).

Lembre-se que lectina "A" pode afetar mais uma pessoa do que outra, e vice-versa, lectina "B" pode não afetar fulano, mas pode afetar cicrano, e vice-versa, isso é algo muito individual. E justamente essa individualidade irá decidir o quão rigoroso você precisará ser. Por isso conhecer o próprio corpo é fundamental.

Por fim, não obrigatoriamente o seu organismo é afetado pelas lectinas, isso não é uma regra (lembre-se das individualidades), mas pelo menos agora você já está ciente de que esse é um problema real e que certamente está afetando inúmeras pessoas nesse exato momento. Esse novo conhecimento pode ser o pedaço de informação que faltava para muitos na caminhada rumo à saúde plena.


Referências:

 

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