FARINHA DE COCO: A NOVA QUERIDINHA DAS DIETAS 'LOW CARB'

O coco vem adquirindo cada vez mais reconhecimento no campo da nutrição como um alimento detentor de excelentes propriedades, fato que vem gerando também um grande interesse em seus subprodutos. Nesse artigo falaremos especificamente da farinha de coco, a qual vem se concretizando cada dia mais, dentre as farinhas, como a nova "queridinha" dos adeptos das dietas de baixo carboidrato – incluindo a dieta cetogênica – ou de pessoas que simplesmente querem reduzir o consumo diário de carboidratos.

 

CARACTERÍSTICAS DA FARINHA DE COCO

A farinha de coco é produzida a partir da carne/polpa da fruta. Depois de ter sido pressionada para a produção de leite de coco e óleo de coco, a polpa seca é triturada, resultando em uma farinha de coloração que vai do esbranquiçado ao marrom claro. Dependendo do processo de fabricação apresentará partículas escuras provenientes da película. Levando em conta que a polpa do coco tem baixo teor de carboidratos e alto teor de fibras, a farinha de coco apresentará características semelhantes.

 

USOS E BENEFÍCIOS DA FARINHA DE COCO

A farinha de coco pode ser utilizada para substituir a farinha de trigo ou outras farinhas à base de grãos em preparações cozidas, assadas ou cruas. É uma farinha naturalmente livre de glúten, sendo muito útil para celíacos ou para aqueles que se consideram sensíveis a essa proteína e optam por não consumí-la.

A sensibilidade ao glúten não celíaca afeta grande parte da população. De acordo com Dr. Alessio Fasano do Hospital Geral de Massachusetts – Estados Unidos, quando se trata de glúten praticamente todos nós somos afetados até certo ponto. Isso acontece porque o organismo produz uma substância chamada zonulina no intestino em resposta à ele.

As proteínas glutinosas – presentes naturalmente em grãos de trigo, cevada e centeio – podem tornar o intestino mais permeável, o que permitirá que partículas não devidas sejam absorvidas e entrem na corrente sanguínea, sensibilizando todo o sistema imunológico e provocando inflamações (acompanhe Hiperpermeabilidade intestinal: a porta de entrada para inúmeras doenças).

Qualquer pessoa que esteja evitando o consumo de glúten e buscando uma farinha alternativa deverá se familiarizar com a farinha de coco, pois, sem dúvida, ela é uma das melhores opções quando o assunto é farinha. E mais, ela será uma excelente opção mesmo para aqueles que não estejam se privando do consumo de glúten, já que oferecerá muito mais vantagens à saúde do que a farinha de trigo (normalmente utilizada).

 

FARINHA DE COCO É MAIS DO QUE UMA FARINHA SEM GLÚTEN

Com uma conscientização cada vez maior sobre os riscos do consumo exagerado e constante de glúten, pessoas recorrentemente buscam alternativas afim de conquistar maior qualidade de vida. Todavia nessa busca muitos acabam se rendendo a outras farinhas de grãos. O que devemos considerar é que grãos de forma geral carregam muitos "antinutrientes" (mesmo os livres de glúten). Além disso, possuem teor significativo de carboidratos, que ficam bastante concentrados quando o grão está em forma de farinha.

Obs.: não obrigatoriamente esses fatores afetarão a sua saúde – lembre-se de que cada indivíduo possui um organismo único –, porém é necessário, no mínimo, estar ciente dos fatos (acompanhe mais informações sobre as individualidade nesse artigo).

No caso de produtos de linhas especiais desenvolvidos sem glúten, como biscoitos, pães, bolachas recheadas, etc., é preciso bastante cautela. Esses produtos apesar de não conterem glúten poderão apresentar, além de outros grãos, altos teores de açúcares processados e certos aditivos prejudiciais. Daí a importância de sempre lermos atentamente os ingredientes nas embalagens. Fato é, a não presença de glúten em determinado alimento não o classifica necessariamente como saudável, outros aspectos também devem ser analisados.

A ausência de grãos somada à pequena concentração de carboidratos na farinha de coco a tornam ideal para pessoas resistentes à insulina, inclusive diabéticos. Ao ser consumida, farinha de coco não provocará picos de glicose e insulina no sangue. Além disso, apresenta aproximadamente 14% de óleo de coco, muito conhecido por seus efeitos positivos sobre o metabolismo e o sistema imune.

Em uma pesquisa realizada com mulheres obesas, foi demonstrado que o consumo de farinha de coco, quando realizado em conjunto com uma dieta hipoenergética, promoveu diminuição nos níveis de glicose e colesterol total.

Em um estudo, pesquisadores concluíram que a adição de farinha de coco em produtos de panificação comumente consumidos havia reduzido seu índice glicêmico. De acordo com eles, isso pode ter acontecido devido ao alto teor de fibras presente na farinha de coco. 

A farinha de coco era originalmente vendida como farelo de coco aos agricultores, que a utilizavam como uma substância nutritiva na alimentação dos animais e como fertilizante orgânico. À medida que seus benefícios para a saúde foram reconhecidos, juntamente com sua alta versatilidade para a substituição de outras farinhas, tornou-se apreciada como um alimento de grande valor aos seres humanos.

 

FARINHA DE COCO NA MELHORIA DA SAÚDE

Abaixo, de uma forma bem organizada, os pontos diferenciais da farinha de coco que podem beneficiar a sua saúde:

  • Alto teor de fibras: devido à sua grande quantidade de fibras, farinha de coco pode contribuir para uma melhor sensibilidade à insulina, bem como para uma maior sensação de saciedade. Esses fatos, por sua vez, ajudam na prevenção de várias doenças, incluindo o diabetes e as doenças cardíacas. Pesquisa publicada na revista Innovative Food Science & Emerging Technologies mencionou a fibra da farinha de coco como um componente funcional;

  • Baixo teor de carboidratos: hoje, maioria das pessoas consome mais carboidratos do que deveria (muito por conta do ultraprocessamento de alimentos). Isso, sem dúvida, contribui para o desenvolvimento da obesidade e suas doenças relacionadas. Substituir farinhas convencionais por farinha de coco no dia a dia é um modo de reduzir os carboidratos;

  • Presença de gorduras boas: o coco é um alimento rico em gorduras, apresentando principalmente ácidos graxos saturados de cadeia média (inclusive ácido láurico). A farinha de coco preserva boa parte dessas gorduras – as quais estão associadas à prevenção e ao tratamento de inúmeras patologias, tais como diabetes, doenças neurodegenerativas, infecções e doenças do coração. Essas gorduras, conhecidas como TCMs (triglicerídeos de cadeia média), são rapidamente absorvidas e utilizadas pelo organismo como fonte de energia, o que lhes dá propriedades favorecedoras do metabolismo e um papel de relevância no processo de emagrecimento;

  • Ausência de glúten: hoje sabemos que o glúten pode afetar grande parte da população, mesmo que esta não apresente resultado positivo no teste de doença celíaca, diferentemente do que se pensava há alguns anos. Para piorar, diversas preparações de confeitaria consideradas "tentações" por muitos geralmente são produzidas a partir de farinhas contendo glúten (principalmente farinha de trigo);

  • Ausência de grãos: grãos, de maneira geral, apresentam certos "antinutrientes", como fitatos e lectinas. Essas substâncias podem estar afetando muitos indivíduos, principalmente aqueles inseridos em dietas baseadas em grãos integrais e que mesmo assim não estão conseguindo ficar saudáveis.


OBSERVAÇÕES

Farinha de coco, bem como outras farinhas 'low carb' – incluindo farinhas de amêndoas, castanha-do-pará e linhaça –, abrem um mundo de deliciosas possibilidades em pães, bolos, biscoitos e outras receitas sem glúten as quais você mesmo poderá fazer em casa, adicionando ingredientes de qualidade como, por exemlo, óleo de coco, ovos, cacau e adoçantes naturais.


 

COMO UTILIZAR FARINHA DE COCO NAS RECEITAS

Devido ao seu elevado teor de fibras, farinha de coco funciona como uma esponja, absorvendo bastante água (bem mais do que uma farinha convencional). Como regra geral, você poderá substituir até 20% de farinha sem que isso comprometa o sabor ou a textura do produto final. No entanto se você quiser se livrar de uma vez por todas da farinha de trigo, você terá duas opções:

  • Utilizar apenas farinha de coco: você precisará de muito menos farinha de coco do que de farinha de trigo (ou arroz) para alcançar uma textura legal, quando resolver utilizá-la sozinha. Para cada xícara de farinha à base de grãos utilize apenas de 1/4 a 1/3 de xícara de farinha de coco. Dica: aumentar a adição de ovos à sua receita favorecerá uma melhor emulsificação, já que ela não terá glúten;

  • Misturar com outras farinhas: aqui você poderá fazer várias combinações de farinha de coco com outras farinhas livres de glúten. Isso pode incluir farinhas de quinoa. amaranto, aveia, sarraceno, etc. No entanto se você quiser uma receita 'low carb' e livre de grãos, deverá optar por farinhas feitas a partir de alimentos como amêndoas, castanha-do-pará, nozes, avelã e linhaça.


OBSERVAÇÕES

Essas são apenas algumas dicas rápidas que poderão te ajudar, mas lembre-se de que é no momento das preparações onde você realmente irá conseguir ajustar as proporções exatas de cada ingrediente, de modo que o resultado final fique como o esperado. A goma xantana é um produto que pode te ajudar, uma vez que uma pequena quantidade dela será capaz de deixar a massa mais viscosa e elástica (cumprindo o papel que seria do glúten). Certifique-se, ainda, de utilizar fermentos livres de amido de milho transgênico e alumínio. A farinha de coco também poderá ser utilizada em receitas cruas, como shakes, saladas, saladas de fruta e onde mais você quiser.  


 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em uma cultura onde a alimentação básica é composta principalmente por grãos, fica difícil aceitar que a diminuição deles na dieta poderia significar uma melhora expressiva na saúde de muitos. O uso da farinha de trigo, por exemplo, se tornou algo corriqueiro, não à toa existem vários produtos diferentes, como bolos, pães, cookies, bolachas, torradas, salgados, tortas, etc., que apresentam a farinha de trigo como ingrediente base.

Em uma sociedade onde o consumo desses produtos é uma tradição, torna-se bastante árdua a tarefa de dar a eles um adeus definitivo. Por isso atualmente encontramos tantas receitas alternativas, produzidas com ingredientes até então incomuns (hoje usa-se mais o óleo de coco, o açúcar branco muitas vezes é substituido por açúcares não refinados e/ou adoçantes inócuos, os corantes naturais já possuem maior espaço, e por aí vai).  

Sobretudo as farinhas livres de grãos e baixas em carboidratos a cada dia ganham mais destaque na busca pela elaboração de receitas mais saudáveis que sejam tão saborosas quanto as tradicionais. Dentre elas, a farinha de coco certamente apresenta-se como uma das maiores tendências em meio a esse novo mercado.


Referências:

 

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