DIETA CETOGÊNICA: DO ALZHEIMER À PERDA DE PESO, DA EPILEPSIA AO CÂNCER

Atualmente, grande parte da população sofre de várias doenças e condições crônicas, como diabetes e obesidade. Certamente um dos principais culpados por essa situação é o tipo de alimentos que esses indivíduos consomem em seu dia a dia. A alimentação tradicional brasileira, por exemplo, contém quantidades excessivas de ultraprocessados, carboidratos refinados, açúcares e gorduras artificiais.

Isso contribui, eventualmente, para o desenvolvimento de problemas como resistência à insulina e mal funcionamento da dupla leptina/grelina (hormônios reguladores do apetite). A fim de evitar esse problema, mudanças importantes na dieta devem ser consideradas, e a melhor maneira é a adoção de um plano alimentar que induza o organismo a um estado de cetose nutricional – condição na qual o corpo passa a queimar gordura como combustível primário ao invés de açúcar (glicose).

Para que uma pessoa possa atingir a cetose nutricional de uma forma mais eficiente ela deverá seguir uma dieta cetogênica (isso também se torna possível através da prática do jejum). Por muitos e muitos anos nos fizeram acreditar que exercícios físicos aliados a uma dieta restrita em calorias e com baixo teor de gorduras era a chave para a otimização da saúde e para a perda de peso (emagrecimento).

Bom, que exercícios físicos são muito importantes à saúde e muito bem-vindos em qualquer programa de emagrecimento isso não se discute, agora, se você alguma vez já tentou controlar o seu peso cortando gorduras da alimentação e baseando-se apenas em calorias (consumindo menos calorias) deve estar ciente de que isso geralmente não corresponde às expectativas, além de ser extremamente difícil de manter a longo prazo.

Nesse artigo colocaremos em perspectiva a definição de dieta cetogênica, bem como sua grande eficiência, tanto para perda de gordura corporal como para prevenção e tratamento de inúmeras doenças. Continue acompanhando!

 

O QUE REALMENTE É A DIETA CETOGÊNICA?

Devido às altas taxas de obesidade (fator potencial de risco para diabetes e doenças cardíacas) que enfrentam as nações mais desenvolvidas, pesquisadores têm estudado ansiosamente sobre como alcançar a perda de peso de forma saudável e sustentável. A dieta cetogênica vem sendo nas últimas décadas, ao lado do jejum, a grande esperança para solucionar esse problema em larga escala.

O conceito de dieta cetogênica ficou conhecido décadas atrás, mas o organismo humano sempre teve a capacidade de funcionar em cetose nutricional, desde o início de sua existência. Dieta cetogênica é um plano alimentar muito baixo em carboidratos que foi projetado originalmente para o tratamento de pacientes com epilepsia, na década de 1920, por pesquisadores que trabalhavam no Johns Hopkins Medical Center.

Os pesquisadores observaram que o jejum (evitando o consumo de todos os alimentos, incluindo aqueles que forneciam carboidrato, por um curto período de tempo) havia reduzido a quantidade de convulsões que os pacientes normalmente sofriam, além de ter trazido efeitos positivos sobre os níveis de gordura corporal, glicose no sangue e apetite.

Dieta cetogênica se trata da alta ingestão de alimentos ricos em gorduras (gorduras boas), ingestão moderada de proteínas e baixíssimo consumo de carboidratos. O interessante é que mesmo que você não tenha muito peso para perder, entrar em um estado de cetose poderá ser benéfico por outros motivos, como aumento de energia, aumento na capacidade mental e melhora do humor.

 

O QUE É CETOSE NUTRICIONAL?

Cetose nutricional, ou simplesmente cetose, é o estado do organismo resultante da dieta cetogênica, ou de dietas de baixo carboidrato não necessariamente cetogênicas, ou de períodos mais longos em jejum. Ela ocorre quando a ingestão de carboidratos, incluindo açúcares, grãos, frutas e outros alimentos fontes desse macronutriente, é drasticamente reduzida, ou quando ficamos sem comer por períodos maiores. 

Em situações desse tipo, o corpo primeiramente utiliza suas reservas de glicogênio e em seguida precisa encontrar uma fonte alternativa de combustível, sendo essa os chamados corpos cetônicos – acetona, acetoacetato e betahidroxibutirato –, os quais serão produzidos a partir de gorduras. Embora as gorduras (principalmente as gorduras saturadas) ainda tenham uma reputação ruim para muitos, elas são ótimas fontes de energia quando o corpo não é abastecido com carboidratos.

Como regra geral, quanto menos glicose estiver disponível na corpo maior será a produção de corpos cetônicos. Uma vez que os níveis de corpos cetônicos atingem certo ponto, o organismo passa a estar em um estado de cetose nutricional, o qual resulta em otimização da composição corporal, além de tratar com eficiência diversas condições de saúde. Corpos cetônicos são também conhecidos como cetonas.

Obs.: cetose nutricional não deve ser confundida com cetoacidose, um estado metabólico bastante grave no qual são produzidas quantidades excessivas de cetonas, normalmente em diabéticos mal controlados. A dieta cetogênica não é a causa da cetoacidose, entretanto se você já tem diabetes (tipo 1 ou 2, mas principalmente tipo 1) é recomendável que procure orientação de profissional atualizado antes de ingressar nesse estilo de comer.

 

BENEFÍCIOS DA DIETA CETOGÊNICA

Manutenção e perda de peso

Em um estudo foram analisados indivíduos obesos separados em dois grupos, sendo que um grupo recebeu uma dieta cetogênica e o outro grupo recebeu uma dieta com baixo teor de gorduras. Após 24 semanas os pesquisadores observaram que o grupo da dieta cetogênica havia perdido mais peso quando em comparação com o grupo do baixo teor de gorduras (9,4 kg versus 4,8 kg).

Além disso, dieta cetogênica pode facilmente se encaixar como um estilo de vida enquanto que o mesmo não é verdade para dietas que restringem calorias e gorduras, visto que essas normalmente fazem o indivíduo passar fome. Outro ponto fraco das dietas restritas em gorduras e calorias é que elas geralmente permitem um constante fornecimento de glicose através de alimentos ricos em carboidrato.

Quanto mais glicose for fornecida pela alimentação menos o corpo precisará utilizar como energia fontes já existentes – células de gordura ou glicogênio armazenado no fígado e nos músculos –, ou seja, nessas dietas grande parte do glicogênio e, principalmente, a gordura corporal não serão utilizados (queimados), dificultando a perda de peso.

Em resumo, nesse tipo de dieta você retringe o consumo de gorduras e calorias ao passo que faz várias refeições ao longo do dia. O resultado final é que seus hormônios reguladores do peso e do apetite nunca entram em perfeito equilíbrio – exatamente o que mais você precisaria para obter uma perda de peso funcional. Para compreender a fundo todo esse mecanismo, acompanhe Perda de peso: entenda por que a dieta clássica de redução de calorias é uma estratégia ruim.

Na dieta cetogênica os carboidratos correspondem a aproximadamente apenas 5% das calorias diárias, sendo esse valor provindo majoritariamente de legumes e hortaliças, mas também de outras fontes (obs.: por mais que um alimento não seja considerado fonte de carboidrato, ele ainda assim pode possuir quantidades pequenas desse macronutriente, isso vale para a maioria dos alimentos).

Prevenção e tratamento de câncer

Uma grande revelação sobre a dieta cetogênica é a maneira como ela pode ajudar a prevenir o câncer. Dominic D'Agostino, professor assistente da Universidade do Sul da Flórida, elucidou como a dieta cetogênica pode agir positivamente dentro do organismo no que diz respeito aos mecanismos dessa tão temida doença.

D'Agostino explica que todas as células, inclusive as células cancerígenas, podem utilizar glicose como combustível. No entanto as células cancerígenas não possuem flexibilidade metabólica e não conseguem se adaptar ao uso de corpos cetônicos como combustível da mesma maneira que as células saudáveis fazem.

Uma vez que o organismo entra num estado de cetose nutricional as células cancerígenas tendem, literalmente, a morrer de fome. Levando isso em consideração, podemos afirmar que a dieta cetogênica, além de atuar na prevenção do câncer também tem grande valor no seu tratamento (algo infelizmente subestimado dentro da medicina convencional).

Embora ainda haja muita crítica em torno do assunto, evidências na literatura não faltam de que a dieta cetogênica oferece alta vantagem no combate ao câncer [1, 2, 3, 4].


OBSERVAÇÃO IMPORTANTE

Estudos já comprovaram que, além da glicose, o aminoácido glutamina também pode ser usado por células cancerígenas para energia e proliferação. Em casos de câncer já instalado é também interessante diminuir o consumo de glutamina, o que torna-se um pouco complexo, pois ela está presente em vários alimentos fontes de proteína (e a proteína, como sabemos, é um macronutriente muito importante).


Redução dos níveis de insulina e regularização da glicose sanguínea

Uma vez consumidos, os carboidratos serão divididos em açúcares no organismo. Isso fará com que os níveis de glicose no sangue aumentem, resultando em liberação de insulina. Ao decorrer do tempo, caso a alimentação for precária e o fornecimento de carboidratos for demasiado e constante, um indivíduo poderá desenvolver a chamada resistência à insulina, a qual eventualmente poderá progredir para o diabetes tipo 2.

Adotando-se uma dieta cetogênica, o aporte de carboidratos ao longo da vida será drasticamente reduzido, havendo consequente diminuição na produção de insulina e menor resistência das células a esse hormônio. Além disso, o organismo estará mais saudável de forma geral, pela qualidade dos alimentos ingeridos. Isso resultará em níveis adequados de glicose no sangue e uma propensão extremamente reduzida ao diabetes tipo 2.

Um estudo publicado em Nutrition & Metabolism observou, também, que indivíduos diabéticos cuja dieta era cetogênica haviam reduzido significativamente a dependência de medicações, além de terem revertido sua condição.

Aumento de massa muscular

Jeff Volek, Ph.D, é um nutricionista registrado e especializado em como uma dieta rica em gorduras e baixa em carboidratos pode afetar a saúde e o desempenho físico. Em um de seus livros Volek afirma que os corpos cetônicos têm estrutura semelhante aos aminoácidos de cadeia ramificada e podem ser úteis para a construção de massa muscular. Os corpos cetônicos – criados a partir de gorduras – pouparão, então, esses aminoácidos, o que favorecerá o processo. Desde de que a dieta "high fat, low carb" seja combinada a treinos adequados, muitos poderão se beneficiar desse mecanismo.


OBSERVAÇÃO

Aqui vale lembrar daqueles indivíduos naturalmente magros. Estes, assim como a maioria das pessoas, também podem obter os benefícios de saúde trazidos pela dieta cetogênica. Contudo eles possuem metabolismo muito rápido e, caso queiram ganhar massa muscular, dieta cetogênica possivelmente não será a melhor estratégia.

Ao invés, uma dieta mais alta em carboidratos e adequada em proteínas unida a treinos apropriados pode ser a resposta. Isso poderia significar o consumo de muitas raízes e frutas, a ingestão suficiente de proteínas de alta qualidade e até mesmo o uso de suplementos como dextrose. Também poderia ser utilizada uma estratégia com menos carboidrato, mas suplementada em gorduras (para obtenção de calorias extras).

Mas é importante que fique bem claro, indivíduos naturalmente magros com dificuldade grande de ganho de peso são uma parte bem pequena da população, você precisa descobrir se você está incluído(a) nela ou não. Caso não, a tática de consumir mais carboidratos poderá não ser adequada. Acompanhe mais sobre as particuliaridades humanas aqui.


Redução da compulsão alimentar

Em contraste com a maioria dos outros planos alimentares, a dieta cetogênica não requer contagem de calorias e porções calculadas (a não ser em casos bem específicos) e não te submete a situações frequentes de fome.

Na verdade, praticamente todas as pessoas se sentem naturalmente satisfeitas e energizadas enquanto estão em cetose e percebem que podem ficar por períodos mais longos sem a necessidade de comer ou beliscar – por isso o jejum prolongado e o jejum intermitente são comumente aplicados em conjunto com a dieta cetogênica (fique por dentro de todos os benefícios do jejum em Jejum: a prática milenar que pode melhorar a sua saúde).

Diferentemente de planos alimentares que consistem majoritariamente em carboidratos, dietas baixas em carboidratos, moderadas em proteínas e elevadas em gorduras saudáveis, como a cetogênica, têm um impacto positivo no que diz respeito ao funcionamento dos hormônios que regulam o apetite. Isso se reflete em menor necessidade de comer várias vezes ao longo do dia (principalmente "tranqueiras" ou doces).

Redução do risco e auxílio no tratamento de doenças neurológicas

A dieta cetogênica pode ajudar no tratamento de doenças como epilepsia, mal de Alzheimer e mal de Parkinson. Estudos revelaram que essa dieta favoreceu a redução de distúrbios da atividade nervosa e neuronal no cérebro [5, 6, 7, 8, 9].

Um cérebro saudável produz sua própria insulina, que, por sua vez, sinaliza as células para que possam utilizar glicose como energia. Esse mecanismo permite ao cérebro funcionar corretamente. Infelizmente nas doenças neurológicas existe uma deficiência de insulina no cérebro ou resistência à insulina, o que o dificulta de utilizar glicose como combustível.

No entanto, pessoas acometidas por essas doenças, ao serem submetidas à dieta cetogênica, proporcionarão o melhor funcionamento de seus cérebros, visto que estes passarão a utilizar também corpos cetônicos como combustível.

Para pessoas sadias, adotar uma dieta cetogênica significará reduzir os riscos de doenças neurológicas. Para pessoas com danos já instalados, isso significará a amenização dos sintomas ou até mesmo a reversão desses danos.

Outros mecanismos proporcionados pela dieta cetogênica que sugerem benefícios às atividades neuronais incluem: mudanças na produção de ATP, tornando os neurônios mais resistentes em relação às demandas metabólicas; alteração do pH do cérebro, a qual afeta a atividade dos neurônios; alterações no metabolismo de aminoácidos; e alterações na síntese do neurotransmissor inibitório GABA.

 

PERGUNTAS FREQUENTES

Posso sofrer algum efeito colateral com a dieta cetogênica?

Começar uma dieta cetogênica poderá otimizar a sua saúde tremendamente de diversas maneiras. Todavia, como qualquer alteração dietética importante, existirá um período de adaptação, podendo sim surgir vários efeitos secundários indesejáveis. Felizmente não são alarmantes. Incluem: sensação de cansaço, dificuldade para dormir, problemas digestivos, fraqueza durante os treinos, oscilações de humor, perda de libido e mau hálito. Esses efeitos colaterais não afetam todas as pessoas e muitas vezes duram apenas de uma a duas semanas ou até que o corpo se acostume completamente com a cetose.

Quem não deve seguir uma dieta cetogênica?

Com base em estudos publicados, uma dieta cetogênica pode trazer váris benefícios [10, 11]. No entanto nem todos devem seguir esse plano de alimentação devido a certos fatores. Se você se enquadra em uma das categorias abaixo não é recomendado que adote esse tipo de dieta sem acompanhamento profissional por razões de segurança.

  • Mulheres grávidas: durante a gravidez o organismo da mulher sofre muitas mudanças que requerem nutrientes de várias fontes, portanto restringir severamente as fontes saudáveis de carboidratos poderá afetar negativamente a saúde do bebê;

  • Pessoas naturalmente magras: indivíduos naturalmente magros, com um metabolismo muito rápido e que possuam índice de massa corporal (IMC) de 20 ou menos ou percentual de gordura corporal extremamente baixo deverão evitar a dieta cetogênica, pois isso poderia resultar em mais emagrecimento, o que seria prejudicial à sua saúde geral;

  • Pessoas com deficiência pancreática: a insuficiência pancreática é uma condição na qual o pâncreas não consegue produzir enzimas suficientes para ajudar na quebra e absorção de nutrientes no trato digestivo. Caso você tenha deficiências enzimáticas, o recomendado é que o problema seja tratado primeiro antes de entrar em uma dieta cetogênica, pois do contrário seu sistema digestivo poderá ter dificuldades para absorver gorduras alimentares;

  • Pessoas que retiraram a vesícula: a vesícula coleta e concentra a bile, permitindo que o aparelho digestivo absorva adequadamente as gorduras dietéticas. Sem ela, as gorduras dos alimentos não serão tão bem absorvidas e isso poderá levar a deficiências nutricionais (considerando que a dieta cetogênica depende, em grande parte, de fontes de gorduras para a obtenção de nutrientes);

  • Atletas em início de temporada: atletas podem se beneficiar muito da energia oferecida pelos corpos cetônicos, porém, como já mencionado, existe um período de adaptação que poderá oscilar de uma a duas semanas, ou mais (varia muito de uma pessoa para outra). Durante esse período de tempo haverá possibilidades do seu organismo não ter alcançado a completa adaptação, o que poderia, eventualmente, diminuir o seu desempenho nas próximas competições. Caso queira aproveitar a dieta cetogênica, procure iniciá-la com bastante antecedência ao início da temporada, garantindo, assim, que até lá o seu corpo já esteja bem acostumado;

  • Outras contraindicações: outras contraindicações à dieta cetogênica incluem mulheres amamentando, crianças em fase de crescimento, indivíduos com histórico de pedras nos rins, pessoas com anorexia e pessoas com síndromes metabólicas raras, tais como Gaucher, Tay-Sachs, Niemann-Pick e doença de Fabry.

O que devo comer na dieta cetogênica?

A dieta cetogênica original precisa garantir o fornecimento de grande quantidade de gorduras boas, moderada quantidade de proteínas e baixíssima quantidade de carboidratos. Levando isso em consideração, poderemos incluir alimentos como:

  • Óleos TCM: esses são suplementos que possuem triglicerídeos de cadeia média em uma concentração ainda maior do que o óleo de coco. Mas lembre-se: produtos elaborados exclusivamente com ácidos cáprico e caprílico (ou apenas caprílico) são os mais funcionais para o aporte eficiente de energia;

  • Manteiga clarificada – ghee: esse tipo de manteiga possui ainda mais benefícios que a manteiga comum. Prefira sempre ghees feitos com manteigas procedentes de vacas criadas à pasto (leia Ghee: o ingrediente secreto da Índia);

  • Peixes – de preferência não criados em cativeiro e livres de metais tóxicos: salmão, sardinhas e anchovas são ótimas opções. Dentre outros nutrientes, apresentam quantidades consideráveis de ômega-3 (acompanhe Ômega-3 e sua importância na saúde humana);

  • Cacau e subprodutos: cacau é um dos alimentos mais ricas em polifenóis, possuindo alto poder antioxidante. Dentre os subprodutos do cacau podemos incluir: chocolate amargo (sem adição de açúcar nesse caso), cacau em pó, nibs de cacau e manteiga de cacau (acompanhe Cacau: um dos maiores antioxidantes do planeta);

  • Sementes: sementes providenciam vitaminas, minerais e fibras, além de apresentarem baixos teores de carboidrato. Ótimas opções incluem: sementes de abóbora, cânhamo, gergelim, chia e linhaça (leia As mais populares sementes comestíveis);

  • Gorduras animais: essas gorduras não necessitam passar por processos de hidrogenação parcial para que tenham maior vida útil. Não geram produtos tóxicos prejudiciais durante o aquecimento no preparo de alimentos. Fontes de gorduras animais incluem: banha de porco e sebo, além de manteiga e manteiga clarificada já citados. Leia também A incômoda verdade sobre óleos vegetais tradicionais;

  • Ovos – preferencialmente ovos orgânicos: ovos inteiros oferecem, com excessão da vitamina C, todas as outras vitaminas. Também são ótimas fontes de luteína e zeaxantina – nutrientes essenciais para a saúde da visão –, e colina – nutriente diretamente ligado ao desenvolvimento cerebral e aprendizado. Especialmente ovos orgânicos apresentarão boas quantidades de ômega-3 em sua composição. Para saber mais sobre ovo acompanhe Nunca mais jogue a gema fora!;

  • Oleaginosas: fontes de proteínas, ácidos graxos insaturados, vitaminas, minerais e fibras, apresentam baixo teor de carboidratos. Opções incluem nozes, macadâmia, castanha-do-pará, avelã, pistache, noz-pecã e amêndoas;

  • Azeite de oliva extravirgem/azeitonas: óleo de azeite, quando 100% puro e fresco, é ótima fonte de polifenóis e ácidos graxos monoinsaturados, mais especificamente ômega-9. Infelizmente, grande parte dos azeites disponíveis hoje é misturada com azeite refinado ou outros óleos de baixa qualidade. As azeitonas trazem benefícios semelhantes, já que são a matéria-prima do azeite;

  • Legumes e hortaliças – preferencialmente orgânicos: esses alimentos são fontes de vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes. Além disso, apresentam quantidades mínimas de carboidrato. Nesse grupo entram alimentos como brócolis, salsa, espinafre, couve, couve de bruxelas, abobrinha, dentre vários outros;

  • Chás e café: essas bebidas são permitidas desde que sejam sem açúcar. Boas opções de chá incluem: erva-doce, camomila, erva-cidreira, chá verde, hibisco, dentre outros. Em relação ao café, dê preferência ao café orgânico. Você também poderá enriquecê-lo com óleo de coco, ghee ou óleo TCM, produzindo o chamado "buletproof coffee". Caso você realmente sentir necessidade, poderá adoçar o chá ou o café com pequenas quantidades de adoçantes naturais, como stévia (pó integral das folhas da planta), glicosídeos de esteviol (componentes isolados das folhas de stévia), ou fruta do monge. Acompanhe também Açúcares e adoçantes: utilizar ou não?;

  • Limão: o limão está entre as poucas frutas com baixíssimo teor de açúcar, além de ser fonte de vitaminas e minerais, tais como vitamina C, vitaminas do complexo B, cálcio, potássio e cobre;

  • Vinagre de maçã – não pasteurizado e não filtrado: o vinagre de maçã aumenta o número de mitocôndrias produtoras de energia nas células quando usado durante a cetose nutricional, além de trazer outros benefícios;

  • Ervas e especiarias: temperos naturais fontes de antioxidantes e podem melhorar o sabor das refeições.


OBSERVAÇÕES IMPORTANTES

  • 1) Importante notar que os suplementos de TCM e os TCMs do óleo de coco se convertem em corpos cetônicos de maneira bem mais eficaz e, por isso, poderão pegar uma fatia maior da dieta. Dessa forma, a dieta cetogênica poderá apresentar melhores resultados, principalmente se for para tratamento de patologias;

  • 2) Frutas sem dúvida são alimentos saudáveis ao organismo humano, todavia, devido aos seus altos teores de açúcar (com excessão do coco, do abacate e do limão, que possuem teores mínimos de carboidrato e açúcar), a maioria delas deverá ser evitada em uma dieta cetogênica (mas dependendo do plano alimentar é possível encaixar com moderação);

  • 3) Ao incorporar mais legumes e sementes em sua dieta (se essa for sua opção) é importante que você esteja atualizado(a) sobre lectinas e seus possíveis efeitos adversos (para ficar por dentro acompanhe o artigo que preparamos sobre o assunto clicando aqui). Também é possível fazer uma cetogênica mais baseada em produtos animais, como carnes e ovos, evitando, assim, eventuais problemas com lectinas ou outros antinutrientes de plantas, e obtendo um aporte maior de proteínas.


O que não devo comer na dieta cetogênica?

Partindo dos princípios da dieta cetogênica original, primeiramente temos que dispensar todos os alimentos ultraprocessados e também aqueles com quantidades consideráveis de carboidrato. Portanto deverão ser excluídos: açúcares em geral – inclusive açúcar mascavo e açúcar de coco –, refrigerantes, sucos de caixinha, sucos de fruta naturais, sorvetes, balas, docinhos e outros produtos com açúcar.

Outros alimentos a serem cortados compreendem: os ricos em amidos e féculas, tais como milho, arroz, trigo, batata, mandioca, batata doce, etc., ou quaisquer produtos/pratos produzidos a partir deles – incluindo pães, pães integrais, bolos, tortas, pizzas, pastéis, bolachas, torradas, macarronadas, batatas fritas, batatas cozidas e outros.

Frutas com alto teor de açúcar deverão ser evitadas, ou seja, quase todas. Alimentos como aveia, quinoa e amaranto também não deverão ser consumidos, já que possuem quantidades elevadas de carboidrato. O leite deverá ser evitado, pois também contém carboidrato (aproximadamente dez gramas para cada copo de 200 ml).

A maioria dos leites também possui caseína A1, que pode ser nociva a muitos indivíduos. Em termos de macronutrientes os queijos poderiam ser consumidos, porém possuem caseína A1. Existem opções de leites A2 e derivados, inclusive queijos, hoje no mercado que parecem causar menos reações. As manteigas normalmente não trazem preocupações extremas quanto à caseína por serem majoritariamente gordura de leite (sobretudo o ghee).

Óleos vegetais tradicionais de cozinha – óleos de milho, girassol, canola e soja – deverão ser completamente excluídos. Esses "alimentos", embora não contenham carboidratos, trazem vários danos à saúde, visto que são altamente processados e tóxicos.

E quanto ao mel? Bom, mel realmente cru trata-se não apenas de uma substância doce e saborosa, mas sim de um alimento que oferece alguns nutrientes interessantes. Por outro lado, é riquíssimo em carboidratos e frutose, devendo, por esse motivo, não ser consumido na dieta cetogênica.

Dieta cetogênica pode ser seguida de maneira contínua?

Embora extremamente saudável, a dieta cetogênica autêntica realizada por longo período de tempo de maneira ininterrupta pode não ser saudável, portanto mesmo que você se dê muito bem com essa abordagem é recomendável alternar de vez em quando para uma dieta cetogênica com ciclos (elucidada mais a frente) ou mesmo uma dieta não cetogênica.

Tenha em mente que uma vez adaptado a utilizar gordura como energia de modo eficiente, você pode sim consumir carboidratos. A grande sacada da dieta cetogênica em termos de metabolismo é transformar o corpo em um eficiente queimador de gorduras. Uma vez que isso é realidade ela não precisa necessariamente ser seguida durante uma vida toda.

Você provavelmente conhece indivíduos que não fazem dieta cetogênica e estão sempre em forma. O que acontece é que essas pessoas já queimam gorduras com mais facilidade, fato que torna a dieta cetogênica dispensável em termos de manter o "shape". Por isso é muito importante que cada um conheça profundamente o próprio organismo.

 

MODIFICAÇÕES POSSÍVEIS NA DIETA CETOGÊNICA

A dieta cetogênica original, criada para aqueles com epilepsia, consiste em obter cerca de 75% de calorias provenientes de gorduras saudáveis, 5% de calorias de carboidratos e 20% de calorias de proteínas. Para a maioria das pessoas uma "dieta cetogênica" menos rigorosa (adaptada) ainda poderá ajudar a promover a perda de peso de forma segura e, muitas vezes, de maneira bem rápida, além de trazer outros benefícios.

Reduzir as calorias provenientes de carboidratos para apenas 5% não é apropriado a todas as pessoas, como aprendemos, todavia, por ser uma dieta extremamente saudável, a dieta cetogênica poderá servir de base para a elaboração de planos alimentares variados, os quais serão deixados mais de acordo com as necessidades, objetivos e tipos metabólicos de cada um. Várias pessoas encontram sucesso em perda de peso e ganho de saúde com uma abordagem mais branda da dieta cetogênica, fazendo modificações simples, como reduzir um pouco o consumo de carboidratos e aumentar o de gorduras boas.

A dieta atual do brasileiro é representada em média por 60% de calorias provindas de carboidratos. Por isso, muitos indivíduos notarão perda de peso e melhoras na saúde geral reduzindo as calorias provenientes de carboidratos para 30% (ao invés de para 5%) e ajustando as calorias procedentes de gorduras e proteínas para 50% e 20% respectivamente. Importante mencionar que, considerando uma "dieta cetogênica" adaptada, esses valores percentuais serão aproximados, podendo variar para mais ou para menos, sempre respeitando as necessidades individuais.

Ainda no que diz respeito a possíveis ajustes na dieta cetogênica, poderemos considerar também uma dieta com ciclos. A "dieta cetogênica" com ciclos é geralmente muito similar à dieta cetogênica original, com a diferença de que permite o aumento da ingestão de carboidratos em momentos certos e nas quantidades certas, normalmente cerca de uma ou duas vezes por semana. Isso pode ser muito útil a indivíduos que já encontraram seu equilíbrio e desejam apenas manter a saúde. Como dito, isso dependerá dos objetivos e necessidades de cada um.

Também é possível fazer uma "dieta cetogênica" com alto aporte de proteínas (o que pode ajudar muito a quem ainda não notou resultados em emagrecimento ou está no platô, já que a proteína tem um ótimo efeito termogênico).


OBSERVAÇÃO IMPORTANTE

Perceba que as porcentagens acima citadas referem-se às calorias provenientes dos macros, e não aos macros em si. Importante deixar isso bem claro, pois muitas pessoas (ao olharem nas porcentagens da dieta cetogênica) ficam com a impressão de que só comerão gorduras e mais nada. O que temos que entender é que a gordura é densa em calorias, ela possui mais que o dobro de calorias em comparação com os carboidratos e as proteínas (ela possui 9 calorias por grama, enquanto os outros dois 4 calorias por grama). Logo, é preciso comer muito menos desse macro para atingir uma quantidade "x" de calorias.

Por exemplo, uma dieta cetogênica de 2.000 kcal (considerando a dieta cetogênica original) ficaria da seguinte forma: 75% de calorias oriundas de gorduras = 166,7 gramas de gorduras; 20% de calorias oriundas de proteínas = 100 gramas de proteínas; e 5% de calorias oriundas de carboidratos = 25 gramas de carboidratos. Notou como já deu uma "cara" diferente? A quantidade de gorduras já não perece mais tão alta quanto antes. É que quando olhamos e vemos um valor de 75% realmente assusta.

Olhando para esses números ainda é possível perceber que a quantidade de carboidratos também não é tão baixa quanto muitos podem imaginar. Veja, em uma dieta de 2.000 kcal é possível consumir 25 gramas de carboidratos. Muitas vezes as pessoas tem um entendimento errado de que precisarão beirar os "zero gramas" de carboidratos na dieta cetogênica, mas definitivamente não é isso que acontece (a não ser que se trate um caso muito específico, uma orientação profissional muito específica).

DESCUBRA O SEU TIPO DE METABOLISMO

Lembre-se sempre de que somos seres únicos, com metabolismos únicos e necessidades diferentes. Isso significa que o que é bom para um pode não ser para outro em muitos casos, e vice-versa. Caso tenha implementado a dieta cetogênica em sua vida e tenha notado que ela realmente não funciona pra você (de acordo com o seu metabolismo) não hesite em modificar o seu plano alimentar.

A dieta cetogênica original pode fazer maravilhas na saúde da maioria das pessoas, mas isso não precisa necessariamente ser verdade no seu caso. Por isso adaptá-la individualmente nunca será má ideia. Afim descobrir o seu tipo de metabolismo e encontrar uma dieta personalizada ao seu organismo não deixe de acompanhar o artigo que escrevemos especificamente sobre o assunto. Mesmo que não encontre todas as respostas, certamente já terá uma boa direção em busca dos seus objetivos.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Dieta cetogênica não é apenas uma dieta, mas um estilo de vida, e sua abordagem surgiu originalmente como uma revolução no tratamento da epilepsia. Ao longo do tempo, essa dieta foi ganhando amplo espaço no tratamento de muitas outras patologias. Sua versão original é bastante rígida, por isso se você não puder (ou não quiser) seguí-la, certamente poderá tomá-la como base para a elaboração de cardápios extremamente saudáveis, os quais serão personalizados às suas necessidades e objetivos.

Em resumo, para que possamos ter uma qualidade de vida otimizada precisamos seguir uma abordagem ampla sobre saúde, onde estão incluídas a boa nutrição, a exposição regular ao sol, a mínima ingestão de toxinas, a prática recorrente de atividades físicas, a manutenção de sonos reparadores, o gerenciamento do estresse, o contato com a natureza e, em muitos casos, a prática do jejum. Para a maioria das pessoas a dieta cetogênica pode ser muito útil no seguimento dessa abordagem, fazendo parte da boa nutrição.


Referências:

 

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