AÇÚCARES E ADOÇANTES: UTILIZAR OU NÃO?

A conscientização de hábitos alimentares mais saudáveis e o maior controle do diabetes e doenças relacionadas vêm gerando um aumento considerável na busca por alternativas ao açúcar branco. Nos últimos anos os adoçantes ganharam destaque nas prateleiras de supermercados, farmácias e lojas de produtos naturais, apresentando-se como uma das alternativas mais empregadas para a substituição do açúcar branco. Contudo açúcar ainda continua sendo o principal adoçante de bebidas e alimentos do planeta.

Diante desses fatos se faz necessária uma reflexão sobre o uso constante de açúcares e adoçantes e seus possíveis efeitos adversos ao organismo humano. Cria-se, também, uma grande discussão que abre espaço para perguntas como: "é aceitável adoçar os alimentos?", "quais opções utilizar?", "o quanto utilizar?", "por que utilizar?", "por que não utilizar?". Nesse artigo abordaremos todo o assunto e chegaremos à conclusão de quais seriam as melhores opções para adoçar os alimentos.

 

OS AÇÚCARES

A humanidade evoluiu durante milhares de anos, nutrindo-se dos alimentos que a natureza lhe oferecia. E quais foram os alimentos responsáveis pela evolução humana através dos tempos? Simplesmente aqueles que estavam ao alcance das mãos. O homem, depois de descobrir que alimentos lavados na água do mar ganhavam um sabor especial, incorporou o sal à sua dieta. Em contrapartida, observou que o mel conferia sabor doce aos alimentos e esse passou a ser o seu adoçante. E assim novos capítulos foram sendo traçados.

No passado, doenças que atualmente são quase epidêmicas, como as cardiovasculares e o câncer, eram muito menos frequentes. Há menos de dez mil anos o homem dominou o cultivo das sementes, dando início à agricultura moderna. Há menos de mil anos conseguiu extrair o açúcar da natureza e há mais de 400 praticamente universalizou o seu consumo. Isso certamente teve uma parcela de contribuição na disseminação da obesidade, do diabetes e de muitas outras doenças crônicas.

Atualmente, a bioquímica humana revela que o coração é dependente de gorduras, proteínas, vitaminas e minerais, todavia não necessita de nenhum miligrama de açúcar. Outro problema sério do açúcar é o seu processo de refinamento, uma vez que nessa etapa são utilizados inúmeros produtos químicos – clarificantes, antiumectantes, precipitadores e conservantes – para que o produto final possa ficar branco, bem solto e bonito. Durante esse processo, a pequena quantidade de nutrientes existentes no açúcar – sais minerais e vitaminas – é quase toda eliminada, restando apenas um produto cheio de químicas, glicose e frutose. Abaixo estão listados os tipos de açúcares mais conhecidos.

Açúcar refinado

Também conhecido como açúcar branco, é o açúcar mais comum nos supermercados. Como dito, no processo de refinamento o produto se torna branco devido a aditivos químicos. Outra desvantagem é que esse processo retira vitaminas e minerais. Possui cerca de 99,8 % de sacarose.

Açúcar cristal

É o açúcar com cristais grandes e transparentes, relativamente difíceis de serem dissolvidos em água. Depois do cozimento ele passa por etapas de refinamento, as quais retiram cerca de 90% dos minerais. Por ser econômico e render bastante, é muito comum em receitas de bolos e doces.

Açúcar demerara

Também utilizado no preparo de doces, esse açúcar de nome estranho é um pouco mais caro que os anteriores. Ele passa por um refinamento leve e, por teoria, não recebe nenhum aditivo químico. Seus grãos são marrons-claro. Açúcar demerara passa por uma perda de nutrientes menor do que os açúcares branco e cristal.

Açúcar mascavo

É o açúcar quase bruto, extraído depois do cozimento do caldo de cana. Como ele não passa pelas etapas seguintes de refinamento (que normalmente os outros passariam) não oferece aditivos químicos e ainda conserva pequena parte do cálcio, ferro e alguns outros minerais da cana-de-açúcar. Seu gosto é bem parecido com o do caldo de cana. O grau de pureza de sacarose nesse açúcar gira em torno de 90%.

Açúcar de coco

O açúcar de coco possui um preço mais elevado em relação aos demais, porém poderá até valer a pena (considerando que você realmente esteja disposto(a) a utilizar algum tipo de açúcar), já que ele possui alguns diferenciais. Por exemplo, há indícios de que ele possa ser melhor tolerado por diabéticos, devido a um menor índice glicêmico. Assim como o açúcar mascavo, por não ser refinado, também mantém vestígios de vitaminas e minerais.

Ainda temos poucos dados sobre, mas o açúcar de coco vem se mostrando uma opção mais interessante, dentre os açúcares, àqueles que buscam um substituto do açúcar tradicional de cana. Nele estão disponíveis elementos traço, como ferro, zinco, cálcio, potássio, polifenóis, antioxidantes e uma fibra chamada inulina.

É claro que esses nutrientes estão em teores bem pequenas, e ninguém consumiria uma grande quantia de açúcar para se nutrir, pelo menos não em sã consciência. A ideia aqui não é iludir ninguém, é importante ressaltar: açúcar de coco, apesar de seus diferenciais ainda é açúcar, para tanto seu consumo não deverá ser feito de forma indiscriminada (caso realmente se queira utilizá-lo).

 

OS ADOÇANTES

Até a década de 1980 no Brasil, os produtos dietéticos eram regulamentados como drogas, sendo comercializados em farmácias e consumidos apenas por quem necessitasse controlar a ingestão de sacarose. Entretanto, a partir de 1988, os produtos à base de edulcorantes tiveram seu uso estendido para a população em geral.

No Brasil, a regulamentação do uso de edulcorantes é de responsabilidade do Ministério da Saúde, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), com base em normas internacionais sobre o uso de aditivos em alimentos. Dentre os tipos de adoçantes atualmente permitidos para comercialização no Brasil podemos incluir:

Aspartame

Esse edulcorante, ao ser consumido e metabolizado, três questões devem ser consideradas: 1) A presença de ácido aspártico; 2) A produção de fenilalanina; 3) O surgimento de metanol com posterior formação de ácido metanóico, um composto extremamente tóxico em quantidades relativamente baixas em nosso organismo.

1) A presença de ácido aspártico

O ácido aspártico funciona como um importante neurotransmissor excitatório no cérebro. As pessoas que sofrem de depressão ou têm atrofia cerebral apresentam baixos níveis de ácido aspártico em seus corpos. Em contrapartida, níveis altos de ácido aspártico podem favorecer o aparecimento de convulsões e derrames, além de poderem causar danos cerebrais;

2) A produção de fenilalanina

A fenilalanina é um aminoácido do tipo essencial que promove, dentre outras coisas, a formação de precursores para a produção de melanina (um pigmento responsável pela coloração da pele). Uma pequena porcentagem de indivíduos não consegue metabolizá-la perfeitamente, a qual representa os portadores da fenilcetonúria – phenylketonuria (PKU).

A PKU é uma doença caracterizada pelo defeito ou ausência da enzima fenilalanina hidroxilase, a qual converte a fenilalanina em tirosina, dando sequência às rotas metabólicas do organismo. Se a PKU não for controlada assim que o bebê nascer os altos níveis de fenilalanina no sangue poderão causar, além de retardo mental irreversível, atraso no desenvolvimento psicomotor (andar ou falar), convulsões, hiperatividade, tremor e microcefalia. O paciente não tratado geralmente mostra sintomas de retardo mental com cerca de um ano de vida;

3) O surgimento de metanol com posterior formação de ácido metanóico

Quanto ao metanol, um composto de função álcool e de fórmula molecular CH3OH, este ao entrar em nosso organismo será transformado em ácido metanóico, também conhecido como ácido fórmico. Tal ácido carboxílico é extremamente tóxico ao nosso organismo. Dependendo da quantidade de metanol ingerida o indivíduo poderá sofrer de cegueira irreversível. Em quantidades mais elevadas poderá levar o indivíduo até mesmo à morte.

É também comum ouvirmos de consumidores do produto (aspartame) queixas sobre dores de cabeça – sintoma característico da ação do ácido fórmico. A FDA (Food and Drug Administration) recomenda um consumo máximo de 50 mg/kg por dia. No entanto é preciso considerar o fato de que nem todos os metabolismos respondem bem a esses níveis máximos diários de aspartame.

Sacarina

Analisando sua data de aprovação pela FDA, logo percebemos que o "avô" de todos os adoçantes dietéticos é a sacarina. Descoberta em 1879, esse adoçante foi utilizado durante a primeira e a segunda guerras mundiais adoçando os alimentos, para compensar o racionamento de açúcar ocorrido na época.

A primeira tentativa de tirá-lo do mercado foi em 1911, quando alguns cientistas chegaram a chamá-lo de "um adulteramento", alegando que ele não deveria ser usado nos alimentos. No início dos anos 70, estudos levantaram a hipótese de que a sacarina poderia ter causado câncer na bexiga, mas a análise de dados sugeriu, mais tarde, que as impurezas poderiam ter causado os tumores e não a sacarina. A sacarina ainda é utilizada no mercado, visto que é economicamente interessante, podendo ser produzida por um custo relativamente baixo.

Ciclamato

Esse edulcorante pode aparecer na composição dos produtos de três formas diferentes: ciclamato de sódio, ciclamato de cálcio e ácido ciclâmico. A descoberta do ciclamato ocorreu em 1937, por Michael Sveda, aluno de graduação da University of Illinois, nos Estados Unidos, que casualmente descobriu seu o sabor adocicado, trinta vezes mais doce que o da sacarose e sem o sabor amargo da sacarina. 

Essa substância foi inicialmente comercializada em 1949 como adoçante artificial para diabéticos. Em 1959, a FDA adicionou o ciclamato à lista das substâncias reconhecidas como seguras – GRAS (Generally Recognized as Safe).

Em meados da década de 60, Kojima e Ichibagase constataram que o ciclamato de sódio não era eliminado de forma invariável, mas poderia ser metabolizado como ciclohexilamina. Em 1969, o ciclamato associado à sacarina, na proporção 10:1, foi interpretado pela FDA como indutor de câncer de bexiga em ratos. 

A partir daí seu uso foi proibido nos Estados Unidos, após o US Department of Health, Education and Welfare concluir que ele não apresentava nenhum valor no tratamento de obesidade ou diabetes. O principal metabólito do ciclamato, a ciclohexilamina, é rapidamente absorvido e excretado pelos rins, existindo pouca excreção fecal.

As taxas de excreção urinária de ciclamato e ciclohexilamina indicam que pouco permanecem nos tecidos ou fluidos corpóreos após a sua administração prolongada e em doses elevadas. No entanto, ambos, ciclamato e ciclohexilamina, podem ultrapassar a barreira placentária e consequentemente alcançar o feto (em casos de gravidez).

A maior parte das publicações e pesquisas sobre os efeitos do ciclamato de sódio ocorreram nas décadas de 60 e 70, reduzindo-se posteriormente, particularmente devido à proibição pela FDA do uso dessa substância nos EUA (proibição que prevalece até hoje no país). Ciclamato ainda é permitido em mais de 50 países, inclusive aqui no Brasil.

Sucralose

A sucralose foi descoberta ocasionalmente em 1976, por Shashikant Phadnis, um estudante que se formou na King's College, no Reino Unido. Phadnis era integrante de uma equipe de pesquisadores da Queen Elizabeth College (na Universidade de Londres) que procuravam sintetizar açúcares halogenados. Durante determinada parte do experimento – a cloração do açúcar –, devido à dificuldade em interpretar a língua inglesa, ele provou a substância e percebeu que ela era doce.

O primeiro grupo científico a avaliar a segurança da sucralose e o seu uso em alimentos e bebidas foi o Comitê Conjunto FAO/OMS de Peritos em Aditivos Alimentares (JECFA), o qual, em 1990, estabeleceu como Ingestão Diária Aceitável (IDA) o valor de 0-15mg/kg por dia. No Brasil, o uso da sucralose em alimentos dietéticos e de baixa caloria está aprovado desde novembro de 1995.

A sucralose é um adoçante artificial obtido a partir da sacarose (açúcar) em um processo químico que substitui três grupos hidroxila por três átomos de cloro. Esse processo altera tanto a composição química do açúcar que, de alguma forma, ele é convertido em uma molécula de frutose + galactose. Esse tipo de molécula de açúcar não ocorre na natureza, portanto o organismo não possui a capacidade de lidar com ela adequadamente.

Estudos experimentais com sucralose e seus produtos de hidrólise, por meio de diversas vias de administração e doses, demonstraram alterações clínicas e histopatológicas nos sistemas digestório, imune e nervoso, bem como em baço e glândulas suprarrenais. Estudos também comprovaram toxicidade materno-fetal.

Os supostos sintomas alegados com o uso de sucralose são: problemas gastrointestinais (inchaço, gases, diarreia e náusea), problemas de pele (erupção cutânea, urticária, vermelhidão, comichão e inchaço), tosse, coriza, dores no peito, palpitações, ansiedade, raiva, variações de humor, depressão e coceira nos olhos.

Apesar do slogan "feito a partir de açúcar, portanto é natural" comumente utilizado, sucralose pode afetar negativamente o organismo de várias maneiras, pois na realidade é uma substância química criada em laboratório.

Acessulfame-K

Composto por um sal de potássio que contém cloreto de metileno, o acessulfame-K é rotineiramente encontrado em gomas de mascar sem açúcar, bebidas alcoólicas e doces. Por vezes é usado em combinação com aspartame ou outros edulcorantes não calóricos.

Esse adoçante artificial tem uma bagagem bem menor de estudos científicos, contudo a exposição a longo prazo ao cloreto de metileno – seu principal componente químico – mostrou causar náuseas, problemas de humor, possivelmente alguns tipos de câncer, problemas de função hepática e renal, problemas com a visão e, talvez, até o autismo.

Stévia e seus componentes

A stévia, Stevia rebaudiana (Bert.) Bertoni, é um arbusto semi-perene pertencente à família Compositae. Ocorre espontaneamente na região da Serra do Amambai, entre o Brasil e o Paraguai. A planta é importante do ponto de vista social, econômico, ambiental e político, principalmente pela produção de dois adoçantes – o esteviosídeo e o rebaudiosídeo.

Na realidade, esses são os principais componentes da planta responsáveis pela sua doçura, os quais são isolados e comercializados como adoçantes. Esses componentes não são metabolizados pelo corpo humano, por isso não oferecem calorias, e ainda possuem propriedades antidiabéticas, antiglicêmicas, anticáries, dentre outras.

Durante séculos as tribos guarani do Paraguai e do Brasil utilizaram diferentes espécies de stévia (as folhas inteiras nesse caso), principalmente Stevia rebaudiana, como um adoçante para neutralizar o gosto amargo de bebidas e medicamentos à base de plantas diferentes.

As folhas de stévia também foram muito usadas para fins medicinais, como regulamento de glicemia e pressão arterial. Um efeito hipotensor leve foi observado em indivíduos tratados com chá de Stevia rebaudiana administrado diariamente durante trinta dias. 

O botânico suíço Moisés Santiago Bertoni foi o primeiro a descrevê-la em 1887, detalhando o seu sabor doce. Em 1900, o químico paraguaio Ovidio Rebaudi conseguiu isolar os princípios ativos responsáveis por sua doçura.

Embora você ainda possa encontrar folhas de stévia inteiras e desidratadas, os glicosídeos de esteviol (componentes com alta doçura retirados de sua composição) são mais comumente comercializados como adoçante aqui no Brasil e possuem um poder adoçante bem maior do que o açúcar.


A STÉVIA É SEGURA?

Stévia, assim como todas as outras plantas, possui vários agentes, sendo o esteviosídeo talvez o mais conhecido. Na maioria das vezes é a ação sinérgica (em conjunto) de todos esses ingredientes que permite produtos naturais, como as ervas, serem capazes de proporcionar benefícios à saúde com pouquíssimos efeitos colaterais (ou nenhum).

Muitas vezes são os outros compostos, os quais podemos classificar como "não ativos", que fornecem "proteção integrada" contra possíveis efeitos prejudiciais dos ingredientes ativos.

Por isso, sempre que tiver oportunidade, dê preferência às folhas de stévia inteiras na forma de pó. Contudo, glicosídeos de esteviol isolados parecem ter muito pouca ou nenhuma toxicidade aguda e, da mesma forma, acredita-se que seu consumo crônico traga pouco risco, com base em estudos realizados em humanos.

Yamada, em 1985 [1], mostrou que o consumo oral de extrato de stévia em quantidades elevadas, como 550 mg/kg de peso corporal por dia, não ofereceu efeitos tóxicos ou cancerígenos em ratos. Já seus efeitos farmacológicos foram sugeridos por outros estudos, como redução da pressão arterial e regulação dos níveis de glicose sanguínea.

Além do esteviosídeo, outros glicosídeos de esteviol incluem os rebaudiosídeos A, B, C, D e F, o esteviolbiosídeo, o dulcosídeo A e o rubusosídeo.


Fruta do monge

A fruta do monge (Siraitia grosvenorii) ou luo han guo, como é chamada na China, é uma fruta da mesma família do melão. Tem sido cultivada na China por centenas de anos, onde é utilizada para adoçar chás e bebidas e também como componente na medicina natural.

Fruta do monge possui diversas substâncias naturalmente doces conhecidas como mogrosídeos. Esses compostos normalmente representam cerca de 1% do fruto maduro e consistem em uma cadeia de diterpeno acoplada com açúcares.

O mogrosídeo V é o magrosídeo mais abundante. Fruta do monge é outro adoçante natural, assim como a stévia, porém é um pouco mais caro e mais difícil de ser encontrado.

Mel cru

O mel foi valorizado como um adoçante natural muito antes do açúcar se tornar disponível no século XVI. Há muito, certos animais, como ursos, texugos e outros, invadiam colmeias, submetendo-se ao risco de serem picados, tudo pela doce recompensa. Sua mistura de açúcar, traços de enzimas, minerais, vitaminas e aminoácidos se diferencia bastante de outras substâncias adoçantes. Alguns dos benefícios do mel, particularmente mel cru, incluem:

  • Pode ser utilizado como remédio natural para tosse, por conter substâncias que aliviam a boca e a garganta;

  • Pode ser usado para tratar feridas devido às suas atividades antibacterianas, antifúngicas e antioxidantes;

  • Pode ser utilizado no couro cabeludo. Mel diluído com um pouco de água mostrou melhorar significativamente a dermatite seborreica (condição do couro cabeludo que causa caspa e coceira);

  • Também pode ser usado para reduzir sintomas de alergia. Mel localmente produzido conterá esporos de pólen e introduzirá uma pequena quantidade de alérgenos em nosso sistema. Teoricamente, isso ativará o sistema imunológico e aumentará a imunidade do organismo contra tais alérgenos.


OBSERVAÇÃO

Mel cru pode transportar esporos prejudiciais de Clostridium botulinum, os quais podem induzir o botulismo – doença que ocorre quando a toxina botulínica é consumida. O botulismo é conhecido por desencadear sintomas semelhantes aos de um envenenamento alimentar, incluindo náuseas, vômitos e febre em adultos. No entanto a bactéria é especialmente perigosa para bebês com menos de um ano de vida devido ao seu efeito potencialmente nocivo ao sistema nervoso central, o qual pode ser fatal se não for tratado de forma rápida e eficaz. Por isso, o ideal é que crianças pequenas não consumam nenhum tipo de mel.


Outros adoçantes

A quantidade de adoçantes que surgiram ao longo do tempo realmente não é pequena. Além dos já citados, podemos incluir vários outros. Por exemplo, existe uma categoria de adoçantes cujos nomes geralmente possuem terminações em "ol".

Trata-se dos álcoois de açúcar, também conhecidos como polióis. Esses adoçantes oferecem menos calorias do que o açúcar e são classificados pela FDA como substâncias seguras ou aditivos alimentares. Apesar do nome, não são nem açúcar nem álcool.

A razão pela qual esses adoçantes fornecem menos calorias do que o açúcar é por que eles não são completamente absorvidos em nosso organismo. A ingestão elevada de alimentos contendo álcoois de açúcar pode provocar gases abdominais, diarreia e desequilíbrios na microbiota intestinal. Podemos incluir nessa categoria:

Com moderação, determinados álcoois de açúcar podem ser uma escolha melhor do que açúcares altamente refinados, frutose ou outros adoçantes. Dentre os álcoois de açúcar, o xilitol é uma das melhores opções, pois seus efeitos colaterais potenciais são mínimos. Mas deve ser usado com precaução, sobretudo se você já tem problemas intestinais.

Xilitol ainda possui propriedades que ajudam na prevenção de cáries. Observação: o xilitol é tóxico para cães e alguns outros animais. Outros componentes que podem ser classificados como substâncias adoçantes incluem:

  • Frutose: o consumo exagerado de frutose é um dos principais contribuintes para obesidade, hipertensão, doenças cardiovasculares, doenças do fígado, câncer, artrite e outras condições. A frutose é metabolizada no corpo de forma diferente da glicose. Ao consumirmos frutose, toda carga metabólica cairá no fígado, do mesmo modo que o álcool. Em excesso, a frutose poderá levar à doença hepática gordurosa não alcoólica;

  • Xarope de milho: riquíssimo em frutose e ainda não apresenta nenhum nutriente extra. Além disso, na maioria das vezes xarope de milho é derivado de milho geneticamente modificado;

  • Maltodextrina: a maltodextrina é utilizada como espessante ou conservante em muitos alimentos processados. Se trata de um pó branco produzido artificialmente o qual pode ser derivado enzimaticamente de qualquer amido, porém é mais comumente derivado do milho (que normalmente é transgênico). A maltodextrina causa picos de glicose e insulina no sangue, uma vez que possui um alto índice glicêmico. Isso é particularmente perigoso para pessoas com diabetes e resistência à insulina. O índice glicêmico da maltodextrina é ainda maior do que o do açúcar de mesa. Pode ser útil a alguns atletas, mas deve ser consumida com inteligência;

  • Dextrose: também conhecida como glicose, assim como a maltodextrina, apresenta altíssimo índice glicêmico, devendo ser evitada por diabéticos e resistentes à insulina. No entanto, por ser glicose pura, pode ser usada diretamente por cada célula em nosso corpo, diferentemente da frutose. Dextrose pode ser aproveitada por alguns atletas e praticantes de musculação (sobretudo por aqueles que possuem dificuldade extrema de ganhar de peso), mas deve ser utilizada com responsabilidade;

  • Xarope de agave: o xarope de agave pode ser considerado até mesmo pior do que o xarope de milho, já que tem um teor de frutose maior do que qualquer outro adoçante comercial (com excessão, é claro, da frutose pura), variando entre 70 e 97%, dependendo da marca. Na realidade, os "néctares" ou "xaropes" de agave comumente comercializados não passam de xaropes de frutose supercondensados, gerados em laboratórios e desprovidos de praticamente todo o valor nutritivo.


OBSERVAÇÕES IMPORTANTES

Essas substâncias adoçantes são vastamente utilizadas em alimentos industrializados, especialmente em produtos comercializados como "livres de açúcar". Por isso, ao comprar um produto, mesmo que nele contenha a descrição "sem açúcar" em letras garrafais, é importante que você leia atentamente os ingredientes em seu rótulo, principalmente se você tiver alguma condição de resistência à insulina ou diabetes, uma vez que os componentes anteriormente citados, da frutose até o xarope de agave, todos possuem efeitos semelhantes aos do açúcar (sacarose) no organismo.


 

CONCLUSÃO

Os adoçantes surgiram e foram ganhando cada vez mais espaço ao longo do tempo, certamente devido às diversas doenças crônicas trazidas pelo consumo excessivo do açúcar. Embora o sabor doce traga sensação de prazer, é importante estarmos cientes de que nem os açúcares isolados nem os adoçantes são essenciais ao organismo humano. Abaixo estão evidenciadas as melhores opções para adoçar os alimentos.

Quanto aos açúcares

Se tratando dos açúcares em sua forma isolada seria interessante reduzí-los ao máximo na alimentação (se possível eliminá-los). Caso não consiga eliminá-los por completo, então pelo menos dê preferência àqueles que mais se aproximem do natural.

Assim sendo, as melhores opções ficam com o açúcar de coco – que é não refinado, apresenta pequenas quantidades de vitaminas e minerais e possui uma evidência de que tenha um índice glicêmico menor comparado aos outros –, e o açúcar mascavo – que é o derivado de cana menos processado, não submetido a aditivos e que oferece uma pequena quantidade das vitaminas e minerais presentes na cana-de-açúcar.

Importante sempre lembrar: alguns açúcares apresentam vantagens sobre outros, mas no final das contas todos possuem quantidades semelhantes de carboidratos e, principalmente, de frutose, que em excesso poderá sobrecarregar o fígado, além de trazer outros problemas. Se você realmente quiser utilizar açúcar em seu dia a dia, o segredo é escolher os que apresentam menos desvantagens e utilizá-los de forma inteligente.

Quanto aos adoçantes

Os adoçantes surgiram como alternativas ao açúcar, todavia a maioria deles é artificial. Adoçantes artificiais podem até dar a falsa impressão de que valem a pena por um período de tempo, mas o preço que se paga a longo prazo com a sua utilização indiscriminada não é barato. De maneira geral, esses adoçantes são até piores que o açúcar.

Sendo assim, a melhor opção entre os adoçantes fica com a stévia (ou glicosídeos de esteviol), uma vez que trata-se de uma planta existente na natureza e que até o momento carece de evidências que demonstrem efeitos adversos graves sobre a saúde. Mas atenção, ao comprar adoçantes à base de stévia, verifique atentamente os ingredientes no rótulo, pois vários fabricantes o misturam com adoçantes artificiais, fazendo com que perca suas propriedades naturais.

Como segundas opções temos a fruta do monge ou luo han guo – que, a exemplo da stévia, também é um adoçante natural, muito menos conhecido e bem mais difícil de ser encontrado, porém uma excelente opção –, temos o mel cru – que, quando realmente cru, oferece traços de enzimas, minerais, vitaminas e aminoácidos (o ponto negativo é que ele apresenta aproximadamente 53% de frutose, que pode ser danosa em excesso) – e temos o xilitol – que, dentre os açúcares de álcool, é o que apresenta menos efeitos colaterais, além de poder contribuir na prevenção de cáries.

 

DICA: TENTE SE ACOSTUMAR AO SABOR NATURAL DOS ALIMENTOS

Eliminar o açúcar isolado da dieta e substituí-lo por adoçantes aceitáveis, incluindo o mel, já é um grande passo, mas se acostumar ao sabor natural dos alimentos certamente é a alternativa mais segura, capaz de proporcionar uma sensação de liberdade.

O sabor doce não deve ser condenado (o próprio criador nos ofertou as frutas, o mel, a stévia, etc.), porém ele é altamente viciante e pode sim nos tornar reféns.

Quando nos adaptamos à doçura natural dos alimentos (e o corpo humano é uma máquina com incrível potencial adaptativo), a sensação de bem estar torna-se realidade independente de sabores extremamente doces. Pense nisso!


Referências:

 

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